AE
AE

Novela envolvendo Ganso pode acabar hoje

Dirigentes do Santos admitem liberar o jogador se o clube receber nova proposta do São Paulo, o favorito na negociação

SANCHES FILHO, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2012 | 03h06

SANTOS - A novela Ganso deve acabar hoje. Informações de fontes ligadas ao comando executivo santista são de que a terceira proposta do São Paulo estava sendo aguardada ontem à noite e que será aceita se chegar perto do correspondente aos 45% dos direitos econômicos pertencentes ao Santos, cerca de R$ 23,8 milhões.

A dez dias do encerramento do prazo de inscrição de jogadores para o Brasileiro, a diretoria do Santos está pressionada e não tem mais como mudar a situação. Tanto que o presidente Luis Alvaro de Oliveira nem foi ao jogo, domingo, na Vila Belmiro, por temer possíveis pressões. Não há mais clima para Ganso voltar a jogar pelo Santos.

A esperança da diretoria era que Grêmio, Flamengo (desistiu ontem), Fluminense e mais algum grande clube do exterior mandassem proposta para que o Santos escolhesse a oferta mais vantajosa. Mas, como até ontem o único clube oficialmente interessado na contratação de Ganso era o São Paulo, não será possível realizar o sonhado leilão.

Outro comentário é que os dirigentes já admitem assinar a liberação do jogador caso seja depositada na conta do clube a sua parte na multa. Há 10 dias, o presidente Luis Alvaro garantia que jamais Ganso deixaria a Vila Belmiro sem que o total da multa de R$ 53 milhões fosse depositado em juízo em favor do Santos.

Sem ofensa. O dia de ontem foi de muitas reuniões. Na primeira delas, sem a presença do presidente Luis Alvaro de Oliveira, os responsáveis pelo departamento de futebol e mais Pedro Luis Nunes Conceição, do Comitê Gestor, convenceram Léo a amenizar as duras críticas à direção santista.

Léo atendeu e divulgou nota oficial pela sua assessoria de imprensa e numa entrevista relâmpago, com apenas três perguntas, no CT Rei Pelé, antes do treino da tarde. "Estou envergonhado pela maneira como me comportei ontem (domingo). Não é algo corriqueiro. Já fiz declarações polêmicas. Mas ontem extravasei", afirmou Léo. "Não sei o que vai acontecer. Se vai ter punição ou não. Eu, no lugar deles, agiria com alguma punição."

As declarações do lateral-esquerdo ao sair de campo, após o clássico diante do São Paulo, deixaram a diretoria numa saia-justa. Aos 37 anos, com livre trânsito entre cartolas de todas as tendências e ídolo da torcida, Léo falou como legítimo representante do grupo e jogou a torcida contra a cúpula.

Disse que Ganso merece ser reconhecido e valorizado por sua importância nas grandes conquistas do clube nos últimos dois anos ou então que definisse o seu futuro para que a novela mexicana não se estenda mais. A diretoria acusou o golpe.

Em outra reunião, na Vila, foram discutidos os efeitos que poderão provocar a saída de Ganso. A estratégia da diretoria para se precaver sobre possíveis acusações futuras é conseguir que o jogador responda oficialmente, em documento assinado, a última oferta de reajuste salarial, que recebeu e recusou no dia seguinte à derrota do time contra o Bahia, quando foi xingado por um grupo de torcedores e foi alvo de uma chuva de moedas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.