Novo atrito com Scolari pode custar emprego de Valdivia no Palmeiras

O desabafo de Valdivia pode custar caro ao meia. O técnico Luiz Felipe Scolari não gosta de ser contrariado. Age como um paizão com seus jogadores, mas não admite atos de indisciplina. E, para piorar, esta não foi a primeira vez que o chileno entrou em rota de colisão com o treinador. Após a derrota por 3 a 2 para o Cruzeiro e no empate por 1 a 1 com o Santos, ambos pelo Campeonato Brasileiro, o jogador deixou o campo reclamando de substituição e levou bronca.

Fabio Hecico, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

Passando férias com os familiares, no interior do Rio Grande do Sul, Felipão ficou sabendo das reclamações de Valdívia ainda na segunda-feira, pela noite. Quis saber de todos os detalhes. Mas não vai se manifestar publicamente antes da reapresentação do clube, no dia 4. Ele quer resolver tudo "internamente".

Na verdade, Scolari terá um encontro com o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, responsável por repatriar o chileno, para ver se valerá a pena seguir com o jogador. O diretor de futebol Wlademir Pescarmona, um dos alvos da ira do meia, está em férias na Europa e deve participar do encontro.

Na segunda-feira, em entrevista à rádio Eldorado/ESPN, Valdivia disse que só segue no Palmeiras, em 2011, caso seja respeitado por todos. Disse que jogou machucado - foi escalado por Felipão - e muitas pessoas falaram mal dele no clube - referindo-se ao diretor Pescarmona. "Ele (Felipão) precisava de mim, eu fui lá e joguei. Só que quando não deu pra jogar mais, começou a falar que não ia para o tratamento médico, que estava saindo... Não vou aguentar isso. Chega de aguentar as pessoas falarem mal de mim", disse, na entrevista.

Outra dura crítica foi em relação à carta de recomendações que recebeu para cumprir durante as férias. Evitar as "peladas" de fim de ano era um dos pedidos, já que ainda se recupera de incômodas lesões musculares que o prejudicaram no Campeonato Brasileiro. Ele se recusou a assinar o documento.

Antes da reapresentação do clube, no dia 4 de janeiro, deve ocorrer uma reunião entre os dirigentes do clube e o técnico para definir se o meia será apenas multado ou se terá seu contrato rescindido, como ele mesmo propôs durante a entrevista à Eldorado/ESPN. "Por enquanto o Palmeiras não vai se manifestar. Mas esse assunto vai ser tratado internamente", disse o gerente de futebol Sergio do Prado, responsável por entregar a carta ao Mago. "Entreguei, ele leu, perguntou se seria só para ele e me pediu desculpas, mas disse que não ia assinar", contou.

Segundo Valdivia, a carta trazia uma multa de 40% dos salários caso ele não cumprisse o que estava escrito. "Não era um documento oficial e estou de férias, tenho de ter liberdade para fazer o que quiser", foi o argumento do meia, realmente o único jogador a receber instruções para o período de descanso. A carta foi registrada no Sindicato dos Jogadores Profissionais de São Paulo e está no departamento jurídico do Palmeiras. Por ordem dos diretores, porém, seu conteúdo não pode ser divulgado. "Infelizmente não podemos divulgar", afirmou um dos advogados palmeirenses.

"Não há nada de diferente. Trata-se de uma coisa comum no futebol", disse Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas. Segundo ele, o Palmeiras não pode multar Valdivia. "Isso é normal no futebol, mas não é legal. Ele (Valdivia) pode ser advertido, suspenso, mas não multado."

Com a repercussão de suas declarações, ontem, o meia chileno, que estava nos Emirados Árabes antes de retornar ao clube, em julho, preferiu a reclusão e evitou acirrar a polêmica. / COLABOROU WILSON BALDINI JR.

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