Número de carros já bate o de bicicletas

As vendas vão crescer - e muito

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2008 | 00h00

A clássica imagem de milhões de chineses dirigindo suas bicicletas a caminho do trabalho em breve só poderá ser vista em fotos antigas. As duas rodas ainda marcam a paisagem das cidades, mas a cada dia perdem espaço para os carros, que se transformaram no grande sonho de consumo dos emergentes chineses.As vendas de veículos explodiram nesta década e, em 2006, a China subiu à segunda posição entre os maiores mercados automobilísticos do mundo - acima do Japão e atrás apenas dos Estados Unidos. No ano passado, os chineses compraram 8,8 milhões de carros e o número deve chegar a 10 milhões em 2008.Mesmo com o aumento, a China ainda tem só 44 carros para cada grupo de 1.000 habitantes, cerca de um terço da média mundial, de 120. Isso significa que as vendas vão continuar a crescer - e muito -, o que coloca o país no topo das prioridades das grandes montadoras multinacionais. Pequim já tem 3,3 milhões de carros em suas ruas, mais do que as 2,4 milhões de bicicletas. Os ciclistas andam em ciclovias separadas por canteiros das vias principais, dominadas pelas quatro rodas. O encontro de carros, bicicletas e pedestres leva o caos aos cruzamentos da cidade, onde impera a lei do mais forte. Os motorizados avançam sobre os demais, fazendo com que atravessar a rua se transforme em uma pequena aventura. O mercado automobilístico local ainda é controlado pelas marcas internacionais, que se estabeleceram no país em associações com empresas estatais chinesas. A alemã Volkswagen foi a pioneira e abriu sua primeira fábrica em 1985, o que lhe garantiu a liderança no mercado chinês, ainda que sua fatia tenha caído de cerca de 35% para pouco menos de 20% atualmente, diante da concorrência de fabricantes norte-americanas, japonesas, coreanas e outras européias.Todas as grandes montadoras possuem fábricas na China e o mercado local é um dos mais competitivos do mundo. Mas as marcas chinesas, como Great Wall, Geely, Chery e Lifan, estão se fortalecendo e pretendem concorrer com as estrangeiras, não apenas em seu país, mas no mundo. Estas fabricantes já exportam e, dentro de poucos anos, a visão de carros chineses nas ruas não será algo inusual, inclusive no Brasil. Enfrentar veículos chineses baratos é o maior pesadelo dos executivos das montadoras multinacionais, que vêem na emergência do país a principal ameaça às suas vendas. A Great Wall oferece modelos 4x4 a US$ 15 mil (cerca de R$ 24 mil), enquanto a Chery vende um carro popular por US$ 3,6 mil (aproximadamente R$ 5,7 mil).As grandes marcas afirmam que os carros chineses não têm qualidade e que, além disso, muitos de seus modelos são cópias descaradas das grifes consagradas. Os chineses lembram que essas acusações já foram feitas no passado contra os carros japoneses, quando começaram a ameaçar a supremacia ocidental no setor. Hoje, a Toyota é a maior fabricante de carros do mundo.

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