Nunca é bom cair!

A exemplar reconstrução do Corinthians depois do rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2007, tem sido usada muitas vezes para alimentar a ideia de que cair pode ser bom. Também pode ser péssimo. Há exemplos negativos, como o do Grêmio de 1991, promovido no ano seguinte apenas porque a CBF permitiu o acesso de 12 clubes - subiu em nono lugar. Ou o Fluminense, de três rebaixamentos consecutivos entre 1996 e 1998.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2012 | 02h01

O renascimento do Corinthians começou dois meses antes da queda, na eleição de Andrés Sanchez. Andrés venceu Paulo Garcia por apenas 17 votos, indicação de que não havia paz política no clube. Mas quando Jonas marcou o gol do Grêmio e rebaixou o Corinthians, o novo governo estava empossado e trabalhando pelo renascimento.

Foi diferente no Fluminense de dezembro de 1996. Junto com o time, caiu o presidente Gil Carneiro de Mendonça. As novas eleições levaram ao poder Álvaro Barcellos, famoso por pagar os salários atrasados com cheques sem fundo. Com Barcellos, o Flu foi rebaixado e humilhado.

Se confirmar o rebaixamento, o Palmeiras não tem a firmeza do Corinthians, nem a insegurança do Fluminense. Mas o calendário político assemelha-se mais ao do tricolor dos anos 90.

O Palmeiras de Arnaldo Tirone dá a impressão de ser um transatlântico encalhado. Não está exatamente parado, mas sua movimentação é apenas lateral. Negocia a ampliação do contrato de Barcos e o aumento do valor de sua multa rescisória. Contratou o lateral-direito Ayrton, do Coritiba.

Mas a formação de um novo elenco, capaz de brilhar na Libertadores e anunciar uma boa Série B depende das eleições de janeiro.

É provável e justo que até lá o presidente Arnaldo Tirone retire sua candidatura.

Haverá disputa acirrada.

A história política do clube mostra que só há sucesso no Palmeiras quando há união. A última vez foi entre o segundo mandato de Carlos Facchina e o primeiro de Mustafá Contursi, nos anos 90. Ou logo depois da mudança de nome, nos longínquos anos 40. "Naquele tempo, havia unidade, porque era preciso fazer o clube sobreviver", conta o historiador Fernando Galluppo.

Entre 1942 e 1951, o clube venceu quatro campeonatos e a Copa Rio. "Depois disso houve um racha e um longo período de fila até 1959", diz Galluppo. Dividido é como o clube está nos últimos anos e como estava no momento em que elegeu Arnaldo Tirone, em 2011.

Mandato importante. Assim como em 1942, quando havia ameaças da guerra e da mudança de nome, o próximo presidente pode ser divisor de águas e terá o mandato mais importante dos últimos 70 anos. Nele, vai se decidir a gestão do novo estádio, o centenário, a reforma estatutária para as eleições diretas e, agora, a necessidade de renascimento.

Uma má gestão pode comprometer o futuro, justamente no momento em que o futebol brasileiro seleciona grandes e pequenos de acordo com sua capacidade de jogar o campeonato de pontos corridos. Pode definir se o Palmeiras vai seguir o Corinthians de 2007 ou o Fluminense de 1996.

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