Nuzman exime cúpula do Rio 2016 por furto de dados na Olimpíada

Presidente do COB diz que funcionários envolvidos se reportavam diretamente ao comitê londrino

SÍLVIO BARSETTI , TIAGO ROGERO / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h07

RIO - Pressionado por suposições, e algumas declarações, de que a cúpula do Rio 2016 estaria envolvida diretamente no escândalo dos arquivos copiados do comitê londrino, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, finalmente veio a público para tentar explicar o incidente que ganhou destaque na imprensa europeia e afetou a organização dos próximos Jogos. Em entrevista coletiva, nesta sexta-feira, 28, ele reiterou que os nove funcionários demitidos do Rio 2016 agiram por iniciativa própria.

Inicialmente, os punidos seriam dez. Mas um dos casos foi revisto, segundo Nuzman, após apuração mais minuciosa do caso, o que diminuiu o número de demissões. Esses funcionários, então a serviço do Rio 2016, copiaram sem autorização arquivos do Locog (comitê de Londres) durante a última olimpíada.

Nuzman estava ao lado do diretor geral do Rio 2016, Leonardo Gryner, na sede do COB. O constrangimento da dupla era visível. Por vários dias, o assunto foi tratado pelos organizadores dos Jogos do Rio apenas por meio de comunicados oficiais.

Mas, depois de uma reprimenda pública do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que considerou o fato "lamentável'', e de afirmações de uma das demitidas, Renata Santiago, de que diretores do Rio 2016 sabiam dos procedimentos dos funcionários, Nuzman decidiu convocar a imprensa e dar explicações.

Além da atualização da lista numérica dos demitidos - os nomes não foram revelados -, o Rio 2016 informou que 24 funcionários estavam encarregados de trabalhar com o Locog, em Londres. Os dirigentes também 'esclareceram' que esses funcionários tinham de se reportar aos chefes, temporários, do Locog, e não a seus superiores na hierarquia do Rio 2016.

No primeiro dia de setembro, segundo informou Nuzman, diretores do Locog informaram o ocorrido ao Rio 2016. "Eles, os proprietários das informações coletadas, não usaram o termo furto ou roubo'', disse Nuzman. "Apenas pediram que os arquivos fossem devolvidos ou destruídos, o que foi feito, com a presença do pessoal do Locog'', declarou.

As demissões ocorreram no dia 18. De acordo com Nuzman, o ministro do Esporte, e autoridades do governo do Estado e da prefeitura do Rio foram comunicados do incidente tão logo o caso chegou ao conhecimento da cúpula do Rio 2016.

"Estava tudo claro na cláusula assinada pelos funcionários. Não poderiam ter feito o que fizeram'', disse Leonardo Gryner.

Integração. Ontem, o Rio 2016 divulgou mensagem do diretor-geral do Locog, Paul Deighton, na qual ele diz que a cópia não autorizada de arquivos "não resultou em nenhuma violação de segurança grave nem no comprometimento de quaisquer dados pessoais''.

"O caso envolveu somente um pequeno número de pessoas e foi resolvido de forma eficiente e eficaz pela diretoria do Rio 2016'', registra a nota, em que Deighton afirma que continuará compartilhando "qualquer informação solicitada pelos colegas do Rio''.

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