O abnegado Muricy mostra talento e conquista o tetra

Comandante do Flu manteve o controle diante de situações adversas; a principal delas foi ter de desistir da seleção brasileira

Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

Muricy Ramalho superou uma série de problemas que poderiam ter comprometido a campanha do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Contusões de seus principais atletas, como Fred, Emerson e Deco, expulsões, a migração dos jogos do time do Maracanã para o Engenhão, além de uma inconstância de resultados que, por algumas vezes, levou o torcedor a duvidar da capacidade da equipe.

Soma-se a isso à estrutura precária do Fluminense - sem centro de treinamento e com uma academia ainda inadequada para os padrões de um clube campeão brasileiro.

Mas, mesmo diante de tantas adversidades, o técnico que mais vezes ganhou o Brasileiro no sistema de pontos corridos (quatro títulos) nunca perdeu o controle e nem a esperança de que o Fluminense poderia voltar ao topo do futebol do País 26 anos depois da última conquista.

O ano de 2010 reservou situações tensas e inéditas na vida profissional do treinador. Logo após a Copa do Mundo na África do Sul, Muricy recebeu convite da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)para assumir a seleção e ter voz ativa num projeto que culminaria com a realização do Mundial no Brasil, em 2014.

Não foi liberado pelo Fluminense, talvez vítima de uma disputa política entre dirigentes da CBF e do clube, e continuou seu trabalho nas Laranjeiras. Jamais reclamou publicamente da recusa e chegou a admitir que o título do Brasileiro não estava em pauta quando se desfez o sonho de dirigir a seleção. "Lá atrás, como é que eu poderia imaginar que o Fluminense chegaria na reta final do Brasileiro dependendo só de si para ser campeão?"

Avesso a entrevistas e a badalações, Muricy também teve o mérito de não deixar o processo eleitoral do clube interferir na produção do time. A escolha do novo presidente do Fluminense foi formalizada na semana da conquista do título, com a vitória do candidato de oposição.

O técnico reuniu várias vezes os jogadores para tentar convencê-los a evitar problemas fora de campo e manter a concentração na briga pelo título. Mais uma vez, alcançou o objetivo.

Idolatrado por tricolores e por Celso Barros, presidente da patrocinadora do clube, Muricy parece ter vida longa no Fluminense. Quer viver no clube cariocas uma extensão dos momentos de glória pelos quais passou no São Paulo - onde conquistou três Brasileiros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.