O alemão da vez

O carro criado por Adrian Newey, dono de todas as pole positions do ano e oito vitórias em 13 etapas, é o destaque do Mundial de 2011. Mas o que Sebastian Vettel tem tirado deste carro nas classificações (em Monza botou 45/100 no segundo) e a ultrapassagem que ele fez em cima de Alonso com duas rodas na grama acabam com as dúvidas de que ele só tem dominado o campeonato com facilidade por ter o melhor carro. A ultrapassagem sobre Alonso não era essencial naquele momento, quinta volta da corrida, já que ela aconteceria inevitavelmente na sequência.

, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2011 | 00h00

Mas a combatividade de Vettel - que fez a ultrapassagem sem abrir a asa - não mede circunstâncias. Ele é um campeão que corre sempre para vencer e usa o enorme talento que possui no limite máximo em cada volta.

Este alemão de 24 anos (nasceu em 3 de julho de 1987) disputou 75 provas na Fórmula 1 e já tem 18 vitórias. Apenas Schumacher e Alonso venceram mais do que ele, mas faltam nove vitórias para alcançar o bicampeão Alonso, que tem 170 GPs na carreira. O número de vitórias do seu maior ídolo, que é Schumacher (91) não é um alvo de Vettel, que andou dizendo recentemente não ter intenção de fazer uma carreira muito longa. Em número de poles, já supera Alonso (25 a 20) e em pódios está em sétimo, mas todos à sua frente têm, no mínimo, o dobro de GPs disputados. Os números da temporada de 2011 são ainda mais impressionantes. Vettel liderou 521 voltas em 13 das 19 etapas. Depois dele, quem mais liderou no ano é Lewis Hamilton, mas com 99 voltas. O vice-líder Alonso soma 61 e Jenson Button, 58.

No domingo passado, quando deixava o Autódromo de Monza, o amigo e repórter Rodrigo França caminhava ao lado de Ross Brawn e arriscou um pedido para que ele definisse, em uma palavra, o segredo desse domínio da Red Bull. A resposta veio rápida: "Downforce". Até aí, nenhum segredo. Mas quando se ouve isso diretamente daquele que também é considerado gênio na área da aerodinâmica, através da qual o projetista cria as formas que fazem um carro receber a pressão do ar e gerar esse downforce, a conclusão é que Adrian Newey ganhou o duelo desse ano por goleada. E tem a ver com aquela previsão feita antes do GP da Bélgica aqui na coluna. A Red Bull tinha sofrido três derrotas consecutivas e Newey havia prometido muitas mudanças para o GP da Bélgica que aconteceria logo depois do período de três semanas que a F-1 determina no mês de agosto para férias de seus funcionários. Quem para de trabalhar neste período são aqueles funcionários presentes nas corridas. Há muita gente que trabalha internamente na sede das equipes, inclusive os técnicos responsáveis pelos testes em túneis de vento, que não param. Além disso, obviamente, Newey e sua equipe de engenheiros não pararam de criar. O resultado é a reação que se viu da Red Bull.

Pobre dos rivais que tenham chegado a imaginar a possibilidade de uma virada no campeonato quando começaram a andar na frente.

Monza não teve uma grande corrida comparada com as melhores do ano.

Mas, além dessa ultrapassagem de Vettel em Alonso, teve um duelo entre Hamilton e Schumacher até então inédito. Durante 46 voltas, de um total de 53, os dois brigaram na pista e Hamilton ficou conhecendo como é difícil passar o veterano campeão. Na largada Schumacher pulou de 7.º para 4.º e começou a apertar Hamilton. Na quarta volta conseguiu passar e ficou na frente até a primeira rodada de pit stops. Depois da troca de pneus, voltou na frente, mas Hamilton o ultrapassou depois de oito voltas de briga e de Schumacher ter sido avisado por rádio que os comissários estavam de olho nas manobras dele fechando a porta de Hamilton.

Veio a segunda rodada de pit stops e Hamilton se manteve à frente até o final. Foi o duelo que salvou a corrida. Quando Hamilton entrou na F-1 em 2007, Schumacher tinha parado de correr. E, desde que voltou em 2010, o alemão não tinha sido competitivo como foi agora nas duas últimas corridas. Parece estar gostando de novo da brincadeira.

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