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Antero Greco
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O ano em uma semana

O futebol tem uns desafios que vou te contar! O ano mal começou, o calendário foi desfolhado em pouco mais de 30 dias e o Corinthians já topa com decisão pela frente. Em uma semana, a partir de hoje, o bravo Timão definirá os rumos da própria temporada. Os jogos com o Once Caldas apontarão se Tite e rapazes embicarão firmes o caminho de 2015 repleto de desafios e ousadia ou se, ao contrário, vão limitar-se à rotina de Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil, etc.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 02h00

Se olharmos apenas para o umbigo, não vacilaremos em cravar que o Corinthians supera a fase preliminar da Libertadores. E, assim, entra acelerado para a etapa de grupos, na qual cruzará com São Paulo, San Lorenzo (campeão de 2014) e Danubio. Uma chave com tarefas amargas, por isso mesmo mais estimulantes.

A prática recomenda cautela. Sobretudo após episódios como os do Tolima (sim, aquele de 2011, também na Libertadores), ou o do Mazembe (de triste lembrança para o Inter no Mundial de 2010) ou do Raja Casablanca (pesadelo para o Galo Mineiro, também no Mundial de Clubes, mas o de 2013). O Once Caldas no momento não é surpreendente como o de 2004, que eliminou o São Paulo e bateu o Boca Juniors na final continental. Tem um elenco novo, há pouco chegaram 11 jogadores, falta-lhe entrosamento.

Entraves que tornam os colombianos franco-atiradores. Eles não botam muita fé no tamanho da missão. Bom para o Corinthians? Que nada. Coisa mais capciosa no futebol essa de um time se fingir de morto, dar uma de coitadinho, na base do eu sei meu lugar. Sabe coisa nenhuma, e veio pra cá para: a - levar de pouco; b - empatar será bom; c - vencer, uma proeza extrema. Enfim, desde que não tome surra, o Once Caldas se considera vivo para acertar arestas na semana que vem em casa. No estádio de Manizales, menos alta do que Bogotá, e ainda assim a 2100 metros acima do nível do mar.

Cabe ao Corinthians impedir qualquer graça esta noite no Itaquerão. Tite tem viva na lembrança a decepção de quatro anos atrás, diante de outro colombiano, e sente o peso da responsabilidade. Com o que tem à disposição, imagina no mínimo repetir o desempenho de domingo, contra o Marília, na rodada inaugural do Paulistão.

Isso significa optar por esquema agressivo, em que Jadson, Renato Augusto, Emerson, Guerrero e até Elias troquem constantemente de posição, rodem, para confundir os colombianos. E sobretudo chutem a gol, muito, mesmo se o Once Caldas tem no goleiro Cuadrado a estrela principal. O Corinthians precisa de gols, ao menos para não fazer com que os torcedores passem uma semana insones e fiquem a roer unhas na próxima quarta-feira.

O esforço adicional se concentra na necessidade de equilíbrio entre o atrevimento na frente e a solidez defensiva. Na partida com o Marília, a zaga em vários lances se mostrou exposta. Por sorte, o time do interior abusou da péssima pontaria. Não é bom dar sopa para o azar com os colombianos.

Noite para emoções, provavelmente. Não custa acreditar.

A sombra. O Palmeiras aparentemente fez bem ao trazer Aranha para disputar a posição no gol com Fernando Prass. Com uma sombra, o titular tende a esforçar-se mais, assim como o reserva. Ambos crescem e, por extensão, ganha o time.

Gente fina. O Barcelona é cantado em prosa e verso como um dos maiores exemplos no mundo de organização e sucesso. Mas sempre tem alguém com vontade de azedar o caldo. De novo, a Justiça da Espanha incomoda o clube catalão com a história da transferência de Neymar. Agora, volta a incriminá-lo, e aos presidentes (anterior e atual), por fraude fiscal na transação. Coisa de alguns milhões de euros, mixaria para os milionários. O Barça tem charme, porém não escapa ao carma milenar que afeta qualquer atividade humana: se tem dinheiro envolvido, a coceira por tramoias é grande.

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