O brilho de um velho conhecido dos brasileiros

Tevez chamou para si a responsabilidade e foi o grande astro argentino na vitória sobre o [br]México por 3 a 1

Christian Carvalho Cruz e Wilson Baldini JR., O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

Teve uma dose de lambança da arbitragem e uma pitada de erros do adversário. Mas foi com uma porção generosa do talento de Carlos Tevez que a Argentina passou às quartas de final da Copa ao vencer o México por 3 x 1 ontem no estádio Soccer City, em Johannesburgo. Com dois gols (um deles um golaço), muita movimentação e o apetite de sempre, o atacante ofuscou a estrela-esperança Messi e também os erros do técnico Maradona.

Na próxima fase, sábado, na Cidade do Cabo, a Argentina enfrentará seu primeiro adversário de primeira linha: a Alemanha, que despachou a Inglaterra com uma goleada de 4 x 1. As duas equipes também duelaram pelas quartas de final na Copa passada, na Alemanha. Vitória dos donos da casa nos pênaltis. E a pergunta que se faz é se a habilidade individual de um ou outro argentino será suficiente para dar cabo dos alemães.

Para ontem, diante dos mexicanos, deu e sobrou. A Argentina foi a campo sem Verón - Maxi Rodríguez começou em seu lugar - e com isso sobrou para Messi, mais recuado, a tarefa de servir Tevez e Higuaín na frente. Foi um ótimo negócio para o México, que tinha três atacantes, chegava com velocidade à área argentina e arriscava chutes de longa distância. Mas só isso. Do outro lado, sempre marcado por dois adversários, Messi mais carregava a bola do que a passava, e acabava derrubado pelas trombadas dos zagueiros mexicanos. Foi então que Tevez começou a brilhar, buscando jogo.

Aos 26 minutos do primeiro tempo ele recebeu um passe de Messi em profundidade dentro da área e se chocou com o goleiro Perez. A bola voltou para Messi, que a entregou novamente a Tevez. Impedido, Carlitos abriu o placar. O bandeirinha titubeou, mas acabou correndo para o meio do campo para validar o gol. Depois, chamou o árbitro.

Conversa vai, reclamação mexicana vem, gol confirmado (até o sistema de som do estádio demorou a noticiá-lo). Sete minutos mais, e o lateral-direito mexicano Osório resolveu ampliar o placar para o adversário: enrolou-se com a bola e a entregou de graça a Higuaín, que driblou o goleiro e marcou o seu quarto gol na Copa - ele é o artilheiro.

A Argentina continuou no ataque no segundo tempo. Aos sete minutos, Tevez de novo. Depois de jogada individual contra dois marcadores, acertou um chutaço de fora da área. Na sequência, o atacante continuava insaciável, ajudando inclusive na defesa. "Estou com fome de glória. Falta-me esse título, o Mundial", diria. Mesmo jogando só até os 24 do segundo tempo, quando saiu para a entrada de Verón, Tevez foi eleito o melhor em campo. Saiu contrariado.

Feliz com a classificação, mas ressabiada pelo "sumiço" de Messi, a torcida argentina aguarda agora que um Tevez sozinho continue a fazer verão.

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