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O caminho da Copa

Carlos Alberto Parreira organiza o Footecon desde 2004. Seu fórum de futebol reúne gente do Brasil e do exterior disposta a trocar informação e conhecimento. Nesses anos todos, provavelmente a única frustração do agora coordenador técnico da seleção brasileira seja olhar para a plateia do seu evento e não encontrar nela um número expressivo de treinadores brasileiros na ativa.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h06

Parreira construiu sua vida no esporte misturando o conteúdo da academia ao do campo, mesmo sem ter jogado profissionalmente. Não importa se você gosta dele ou não, se está na sua lista de treinadores preferidos, isso, agora, é menos importante.

A questão central é que nossos "professores" acreditam saber tudo, e que o tempo parou quando eles construíram suas identidades no campo. Jorge Valdano, campeão mundial pela Argentina, em 1986, costuma dizer que "quem sabe tudo de futebol nem de futebol sabe". É um alerta contra a acomodação.

Faz muito sentido. A vida tem mesmo andado mais rápido, e o futebol sempre foi um espelho disso. Mas nada pior que a sensação de estar sufocado por essa velocidade. Entrar na correria como quase todo mundo tem feito é mais fácil e empobrece o conteúdo. É onde se encontra a seleção de Felipão e Parreira.

A dupla foi convocada para resolver o problema da Copa de 2014, não para pensar o futuro, até que porque visão de futuro não é o forte dos cartolas brasileiros, pelo menos no que diz respeito ao campo de jogo. Qual é a chance de Ricardo Teixeira, o ex, e de José Maria Marin, o atual, terem algum dia discutido o estilo de jogo da seleção? Para que isso aconteça, é necessário reformular tudo e incomodar muita gente.

A única coisa que interessa é a vitória, não como se chega a ela. Um país como o nosso, de imenso potencial técnico, tem a obrigação de traçar um caminho e trabalhar por ele. O que fez Marin? Trouxe dois campeões mundiais para comandar a seleção. Parece a saída perfeita, pois é a opção de quem não conhece a realidade do futebol, por mais que o atual presidente da CBF tenha atuado dentro e fora do campo.

Dois campeões para recuperar o título, não o futebol.

Tenho muita curiosidade em ver como a dupla vai trabalhar. No ideário de Parreira, o jogo deve ser controlado com posse de bola e montado sobre o chassi do 4-4-2. Para Scolari, não custa jogar com três zagueiros e usar bolas mais longas. O modelo de Felipão é competitivo, mais simples, mas talvez não seja ideal para o futuro pós-Mundial. O que importa agora é não passar vergonha, independentemente do formato escolhido.

Os campeões mundiais são o escudo de um cartola cada dia mais desconfortável no cargo. Em 2002 havia Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho para resolver. Hoje não se pode afirmar que Neymar esteja pronto para encarar tudo sozinho. Até o Mundial brasileiro, a seleção tem uma curta, instável, e preocupante trajetória pela frente.

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