''O campeonato foi decidido duas semanas atrás. Não tem como o Flu perder''

Técnico campeão com o Flu em 1984 acha impossível o título fugir hoje

Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

Um espectador privilegiado e com história marcante no Fluminense vai se juntar à torcida tricolor no jogo de hoje, com o Guarani, no Engenhão. Carlos Alberto Parreira, duas vezes campeão brasileiro como técnico do Flu (em 1984 e em 1999, pela Terceira Divisão), está seguro de que o time alcançará o título. Envolvido com a organização do Footecon, fórum de futebol que vai ser realizado no Rio na terça e quarta-feira, ele até aposta num palpite para o jogo. "Acho que vai ser 3 a 0", disse, nesta entrevista ao Estado.

Que recordações guarda da campanha do primeiro título do Brasileiro pelo Fluminense?

A vitória sobre o Corinthians (2 a 0), no Morumbi, pela semifinal, foi especial e histórica. O Corinthians tinha acabado de eliminar o Flamengo com goleada por 4 a 1, e a euforia tomou conta do clube. Mas a exibição do Fluminense no Morumbi foi um primor. Vencemos um ótimo time que reunia Sócrates, Wladimir, Casagrande, o goleiro Carlos.

O time atual do Fluminense seria mais técnico que o de 1984?

Há equilíbrio e até pequena vantagem, nesse aspecto, para aquele grupo. Conseguir juntar Branco, Ricardo Gomes e Romerito foi uma proeza. Era uma equipe muito forte. Assis e Washington decidindo. Delei e Jandir na armação, com o Tato na esquerda. O Duílio na zaga esteve muito bem, Aldo na lateral-direita, Paulo Vitor no gol. Havia ali vários jogadores de seleção. O Flu, hoje, também tem um grupo de alta qualidade. Mas acho que a balança penderia um pouco para o time de 1984.

A chegada do Romerito foi fundamental para a conquista do título?

Ele veio no meio do campeonato e teve participação decisiva. Fez o gol do título, contra o Vasco (num dos jogos finais, o Flu venceu o rival por 1 a 0. No outro, houve empate sem gols). Um guerreiro, típico da escola paraguaia, um motorzinho em campo.

A conquista da Série C, em 1999, pode ser considerada como um título menor para o clube?

De jeito nenhum. Eu tenho o maior orgulho de ter levado o Fluminense àquela conquista. Faço questão sempre de destacar em meu currículo que sou campeão brasileiro duas vezes pelo Flu: em 1984 e 1999. Naquele ano, o clube não tinha dinheiro, faltava estrutura, vivia num caos. Estava no limbo, destruído. Quando cheguei, trouxe uma comissão técnica de peso, com Américo Faria, Moracy Santana, Jairo Leal, Lídio Toledo e iniciamos uma nova trajetória no Fluminense.

De 0 a 100, qual o "risco" de o Fluminense não ser campeão hoje?

É de 0, 0001%. Com todo respeito ao Guarani. O Fluminense está em paz, tranquilo, confiante.

Mesmo se houver "mala branca"?

Não tem como. O campeonato foi decidido duas semanas atrás, quando o Fluminense venceu o São Paulo e o Corinthians empatou com o Vitória.

Arrisca um placar?

Acho que vai ser 3 a 0.

Uma provável "final" de Brasileiro no Rio, fora do Maracanã, perde em glamour?

Em 1984, no segundo jogo decisivo com o Vasco, havia 130 mil pessoas no Maracanã. É realmente uma pena que a partida não seja disputada lá. O Fluminense levaria sem esforço 100 mil pessoas ao estádio. Sua torcida está em estado de graça. Mas o impedimento é por causa do Mundial de 2014, algo previsto.

Quais os méritos do Muricy Ramalho na eventual conquista do título?

Ele fez todas as coisas com simplicidade. Armou um time sem inventar. A sua experiência ajudou nas vezes em que o time perdeu a liderança, ninguém se desesperou com isso. Superou vários problemas de contusão de atletas. Hoje, o Fluminense é uma equipe soberana e tranquila.

Conca foi o melhor do Brasileiro? É o melhor em atividade no País?

Sem dúvida, o Conca é o craque do campeonato, atuando em todas as 38 partidas (contando com a de hoje) e foi decisivo em várias delas. Mas, no Brasil, o melhor, muito distante dos concorrentes, é o Neymar. O Lucas, do São Paulo, também merece elogios.

Como tricolor, qual seu maior ídolo na história do Flu?

É difícil. São vários. Castilho, Pinheiro, Didi, Telê Santana. Tem também Assis, Branco, Rivellino, o Carlos Alberto Torres, que começou lá, o Waldo, que marcou época no Fluminense.

O modelo de relação do patrocinador com o clube lhe satisfaz?

É um modelo atípico. O patrocinador investe muito e gosta de participar das decisões do futebol. Outros dão dinheiro e não se envolvem. Não tem uma receita pronta para o bolo. Depende das pessoas, do momento, da situação.

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