O clássico de Lucas

Andrés Sanchez repetiu o adjetivo "absurdo'' três vezes, ao se referir à declaração de Leão, na sexta-feira, de que alguém teria sugerido o terceiro cartão amarelo de Lucas, numa reunião da CBF, para que o próprio jogador se livrasse do clássico contra o Palmeiras. Subitamente, criou-se a polêmica do cartão. Imediatamente, acabou-se com ela, depois da liberação para que Lucas jogasse o clássico. E ninguém mais discutiu a questão central.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 03h01

A questão que Leão levantou, pôs o dedo na ferida, ao falar que não deve haver jogo de campeonato quando há jogo de seleção e vice-versa. Em vez de se questionar Andrés Sanchez sobre as providências que se pretende tomar para solucionar esse problema antigo, quase todos preferiram a polêmica do cartão amarelo.

Ficou a palavra de Andrés Sanchez contra a de Emerson Leão. E na próxima convocação, o problema será o mesmo, talvez com outros personagens.

Ao telefone, na sexta, Andrés esquivou-se da responsabilidade de mudar o calendário, para evitar casos iguais no futuro: "Convocações quando há jogos de clubes é problema há cinquenta anos e não posso resolver sozinho!'' Sim, mas pode pressionar o departamento técnico, que lava as mãos e diz não haver solução de curto prazo.

Ah, o calendário é muito difícil, apertado e blablablá...

Pode-se procurar polêmica em outros assuntos ligados à seleção. Por exemplo, será que a histórica ligação de Andrés Sanchez com o Corinthians pode fazer a CBF prejudicar o São Paulo de propósito? Como este foi o primeiro caso desde que Andrés Sanchez chegou à CBF, aplique-se a presunção da inocência. Mas ela não resistirá a um novo prejuízo a um rival do Corinthians.

Vale lembrar que Eurico Miranda foi diretor de seleções da CBF e nem mesmo ele foi capaz de prejudicar o Flamengo com convocações simultâneas aos jogos de campeonato.

Sim, porque esse problema já existia em 1989, com Eurico diretor e Ricardo Teixeira presidente da CBF.

Teixeira assinou um de seus inúmeros atestados de incompetência ao admitir, em 2006, que o Brasil não tinha nenhum estádio digno de Copa do Mundo. Na época, estava no cargo havia dezoito anos e só podia colocar a culpa no próprio espelho. Agora, Andrés Sanchez deixa claro que o problema das convocações existe há cinquenta anos. Ele tem apenas a missão de corrigir. A culpa é da CBF, cuja sigla poderia significar: Confessa Bagunçar o Futebol.

Saúde do vestiário. O gerente de futebol do Palmeiras, César Sampaio, assumiu o cargo numa sexta-feira, 4 de novembro. No domingo seguinte, o Palmeiras sofreu sua última derrota. O time está invicto há 15 jogos, contando o amistoso contra o Ajax.

Sampaio admitiu ter conhecido jogadores que derrubaram técnicos, reconheceu que havia problemas no vestiário do Palmeiras e ajudou a solucioná-los. O time se reforçou, mas nem tanto. A série invicta evidencia: há mais coisas entre o campo e o vestiário do que o futebol permite ver a olho nu.

Semana passada, Sampaio andou mais ligado à contratação de Wesley do que apoiando . Ele já disse: "É preciso olhar os reforços e a saúde do vestiário''.

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