O clássico foi dos goleiros

Rogério Ceni joga bem e quebra o recorde de jogos no Nacional e Marcos tem mais uma grande atuação

Daniel Akstein Batista e Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

31 de agosto de 2009 | 00h00

A torcida esperava um duelo de Obina contra Washington, os principais atacantes de São Paulo e Palmeiras. Mas ambos viram sua ambição de marcar gols ser parada por boa atuação dos dois experientes goleiros, Rogério Ceni e Marcos. O camisa 1 palmeirense impediu o centroavante tricolor de marcar duas vezes, enquanto o capitão são-paulino segurou a pressão adversária, principalmente, na segunda etapa."Sempre que sai um 0 a 0 é normal se dar um valor maior para os goleiros", minimizou Marcos. "O empate significa que as duas equipes marcam bem. Os goleiros são secundários, o importante é a força do desarme", afirmou um humilde Rogério. "Os dois times jogaram com três zagueiros, que é sistema de difícil penetração. Foram as defesas que sobressaíram em relação aos ataques."Além da boa atuação no terceiro jogo depois de se recuperar de uma fratura no tornozelo esquerdo, o goleiro são-paulino conquistou ontem um recorde: atuou 370 vezes no Campeonato Brasileiro. Aos 36 anos, é o jogador com maior número de participações na história da competição, depois de ultrapassar Zinho, ex-jogador de Flamengo, Palmeiras e Grêmio."É uma conquista muito especial, porque é a história de uma vida, vamos lembrar na posteridade", comentou o camisa 1 são-paulino, que disse ter voltado do período de recuperação dando mais valor a esses feitos depois da convivência com as duas filhas pequenas, Clara e Beatriz, de 4 anos. "É a sequência de um trabalho que aconteceu naturalmente. Uma marca legal, ainda mais conseguida num clube só, com a grandeza do São Paulo."Marcos deu um abraço caloroso no amigo, companheiro na conquista da Copa de 2002. Desde o Campeonato Paulista, os dois não se encontravam - Rogério não atuou no empate em 0 a 0 do primeiro turno. "É sempre bom reencontrar um companheiro, uma pessoa tão maravilhosa quanto o Rogério. Merece tudo isso que conquistou e hoje nós mostramos que ainda estamos bem", disse o palmeirense, que teve mais trabalho na partida. "A defesa mais difícil foi em chute do Washington que desviou e eu consegui alcançar com as pontas dos dedos." A partida também foi reflexo do momento físico que cada um dos dois goleiros passa. Na carreira, Marcos sempre sofreu mais com lesões, enquanto Rogério Ceni ficou afastado dos gramados por poucas partidas, sempre por causa de problemas musculares. Em 2009, o são-paulino teve mais problemas que o amigo. O palmeirense saiu de campo inteiro mais uma vez depois de ativa participação na partida. Já o capitão do time do Morumbi, ainda em busca de melhor ritmo de jogo depois da fratura no tornozelo, sentiu nova contusão e preocupa para a próxima partida."Foi uma dor no músculo adutor, tive de dar uma segurada para não agravar", explicou Rogério, que, no segundo tempo, errou duas reposições de bola e abriu mão de bater os tiros de meta. Marcos comentou em tom de brincadeira, para desalento do são-paulino: "É a idade, tem de ver como vai doer amanhã (hoje)." Pelo menos terá uma semana inteira para o jogador se recuperar e voltar a campo, domingo, contra o Cruzeiro.O certo é que os dois brigarão até o fim pelo título. "Tem muito tempo ainda, vemos ter trabalho para conquistar o campeonato", declarou Marcos.

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