O clássico. Sempre

Não adianta corintiano vir com a conversa de que atualmente nem liga tanto assim para o resultado de jogo com o Palmeiras. Tanto faz se der vitória, empate ou derrota, será apenas mais um compromisso protocolar, uma enfadonha etapa de uma competição qualquer, hoje por acaso o Paulista. Há quem sustente, entre a gozação e a solidariedade, que o rival anda tão por baixo que não desperta prazer vê-lo espezinhado nos duelos contra a armada todo-poderosa.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h07

E tem mais: o adversário do momento, afirma certa geração alvinegra, aquele que desperta gana, vontade, adrenalina, tensão é o São Paulo. A turma do Morumbi tem de ser batida a todo custo, de preferência não pode sobrar pedra sobre pedra. Verdade, ou melhor, meia-verdade. Verdade do momento. Modismo, como tantos. O confronto Majestoso tem tradição, jamais se pode negar. Passou a ser vital para o fiel torcedor só recentemente, por causa do crescimento e dos títulos de ambos os clubes, de uma comparação para ver quem é o mais forte, rico, potente e tal.

Mas o tempo prova que nada supera o dérbi paulista. Esse está intrinsecamente ligado à história da cidade, do Estado, do futebol brasileiro. Corinthians x Palmeiras é diferente dos outros duelos paroquiais, envolve folclore, rusgas, é praticamente uma briga de família. Os dois times são irmãos que não se dão, se evitam, porém não conseguem se largar. A existência de um não teria sentido sem a do outro. Qualquer dos lados pode vibrar com entusiasmo por triunfo sobre São Paulo ou Santos. Só que o sabor de superar o desafeto de sempre é único.

Houve época em que o Corinthians odiava o Santos, sobretudo porque virava alvo das diabruras do Pelé. Não tinha jeito de passar por cima da trupe de artistas da Baixada. O Corinthians podia estar em fase extraordinária. Ao topar com o Santos, era derrota na certa. Da mesma forma, houve período em que o São Paulo não suportava o Palmeiras, com quem disputava ponto a ponto títulos domésticos, nacionais, internacionais. Era uma obsessão de dar canseira.

Nessas fases, aparentemente, o dérbi ficava em segundo plano. Só da boca pra fora. Porque no íntimo, lá no fundo, para corintianos e palestrinos o que importava era ganhar O clássico. O clássico que resiste às oscilações, aos humores, às crises e às glórias dos dois lados. Mesmo quando o Corinthians sonhava com uma tacinha que fosse, entre os anos 60 e 70, nunca diminuíram de valor os enfrentamentos com o Palmeiras. Como não perdeu o viço nos momentos de rebaixamento de cada parte. Não será agora que isso vai mudar. Não se muda uma ideologia, uma religião assim no estalo, por decreto, por moda.

O bom senso indica que o Corinthians é favorito hoje no Pacaembu, o grande e eterno palco do dérbi. Aos poucos, se recompõe o grupo campeão mundial, com coesão, força, equilíbrio como marcas registradas. Os titulares voltaram com o Estadual em andamento, estão longe da forma ideal. O goleiro Cássio estreia no ano. A tropa de Tite encorpa nos dias que antecedem o início da caminhada na tentativa do bi da América.

O Palmeiras assume o papel de coadjuvante também no campeonato local, o que é uma pena e uma constatação. O time se constrói com os desafios pela frente, como aconteceu na quinta-feira, nos 2 a 1 sobre o Sporting Cristal pela Libertadores. Gilson Kleina e seus rapazes são umas incógnitas, impossível prever o que virá deles. Por isso, não se descartem surpresas. Numa aposta, a prudência sugere um palpite triplo. Acredite.

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