O craque é argentino

Conca teve um ano irrepreensível no Fluminense, que culminou com o título nacional

Bruno Lousada / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

O meia Conca não vai esquecer de 2010. Foi o grande maestro do Fluminense na conquista do Campeonato Brasileiro, eleito o melhor atleta da competição e virou o argentino mais querido da torcida tricolor. Na Pesquisa Estado venceu com sobras. Ganhou o prêmio de melhor jogador em atividade no Brasil, desbancando concorrentes como Ronaldo, Montillo, Neymar e D"Alessandro.

"Foi o meu melhor ano. Consegui o título mais importante e tive coisas muito boas na minha vida", disse Conca, após vestir a faixa de campeão nacional.

Aos 27 anos, o apoiador de 1,67 metro de altura é mais conhecido no Brasil do que no seu país. Lá, iniciou a carreira na divisão de base do Tigre, por onde estreou na 2.ª Divisão do Campeonato Argentino com apenas 15 anos. Rapidamente, chamou atenção e fechou com o River Plate, mas a carreira não decolou. Foi pouco aproveitado e acabou emprestado para a Universidad Católica, do Chile, e o Rosário Central, da Argentina.

Até que, em 2007, decidiu vir para o Brasil, a fim de defender o Vasco. E jogou bem, demonstrou qualidade.

No ano seguinte, o Fluminense foi buscá-lo. Além de ter sido o artilheiro da equipe no Brasileiro de 2010, com 9 gols, Conca alcançou marca invejável na competição: foi o único jogador de linha a disputar todas as 38 rodadas.

Não é do seu feitio reclamar da atuação da arbitragem, discutir com adversários em campo e cometer falta desleal. Tímido, detesta conceder entrevista.

"Sei da importância do trabalho de todos, mas é que sou muito tímido mesmo. Não tenho nada contra a imprensa. Sempre fui assim. Além disso, no atual momento, já dei entrevista para o próximo ano inteiro", brincou, em coletiva recente no condomínio de luxo onde mora, na Barra da Tijuca.

Conca tem um desejo para 2011: ser convocado pela primeira vez para a seleção principal da Argentina. Mas não descarta a possibilidade de jogar pelo Brasil, o que já deixou claro em duas oportunidades e arrancou do técnico Mano Menezes uma declaração de apoio. No momento, porém, só quer curtir as férias com a namorada Paula Araújo. "Vou descansar para voltar com tudo. Tenho vontade de casar, ter filhos, uma família. Penso nisso, mas sei que não é fácil pela correria que nós jogadores temos."

Em janeiro, vai operar o joelho esquerdo e deve perder parte do Campeonato Carioca. "A recuperação vai ser rápida, de apenas um mês", avisou, feliz com o contrato renovado com o Flu até o fim de 2015. Humilde, Conca dispensa o rótulo de herói e considera o meia Montillo, do Cruzeiro, um jogador mais completo que ele. "Os meus pais me ensinaram que não posso mudar a minha forma de ser. O tempo passa e muitas coisas acontecem. Um dia você é o melhor e no outro pode ser o pior. O negócio é continuar trabalhando."

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