O dérbi da impunidade

Hoje tem Corinthians x Palmeiras, o segundo clássico do ano. O primeiro registrou a quebra da invencibilidade do Palmeiras e o homicídio do palmeirense André Lezo. O crime completa três meses amanhã. Por causa dele, o presidente da Gaviões da Fiel, Antônio Alan Souza Silva, foi preso. E solto, dezoito dias depois. O único torcedor ainda detido é Thiago Lezo. Sim, como o sobrenome indica, ele é irmão da vítima. Não, não é suspeito do homicídio.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h07

Todos os corintianos presos foram soltos. Quatro jamais foram detidos e estão foragidos, um deles com a prisão preventiva decretada.

Os casos de violência de torcidas são atualmente investigados pelo Decradi (Departamento de crimes raciais e delitos de intolerância). Ótima decisão. O Decradi investiga e soluciona casos de natureza semelhante, como as brigas de skinheads e punks.

Raras vezes a opinião pública tratou intolerância entre skinheads e punks como um problema parecido com brigas de torcidas. É a mesma coisa. Nos dois casos, as gangues sentem-se mais fortes em bandos e matam porque se sentem impunes.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o Decradi soluciona 70% dos casos, mas a ideia dos investigadores é diferente. As brigas de torcidas e as de gangues diminuíram menos do que deveriam, porque a polícia prende e a Justiça solta.

Não é um problema do futebol, nem da noite brasileira. É um problema do país. E é muito grave!

Hoje é dia de Palmeiras x Corinthians e não vai haver briga de torcidas. Quem garante não é o poder público. Não é a delegada Margarette Barreto, responsável pela prisão de Thiago Lezo e afastada do caso Mancha x Gaviões porque pretende se candidatar a vereadora. Também não é o atual delegado responsável pelo inquérito, Arlindo Negrão. Quem garante? As torcidas.

"O clima ficou muito pesado, a gente perdeu demais", diz o presidente da Mancha, André Guerra. Quer saber se a ausência de brigas vai durar? "Se vai ser para sempre eu não sei", completa.

Nestes três meses, o governador, a presidente, ninguém mais falou sobre violência nos estádios.

Hoje não tem clássico nem em Goiás, nem Minas, nem no Rio, onde a coisa também é feia. Para quem julga perigoso ir ao futebol, por brigas de torcidas, um alerta. Na madrugada de quinta-feira, o corintiano Reginaldo Fernandes de Sena foi morto depois de assistir em casa à vitória de seu time sobre o Santos. Saiu por minutos para festejar nas ruas do bairro. Foi assassinado.

Feliz 2014, Dilma!

Clássico da taça. Os jogadores do Palmeiras falaram sobre a derrota para o Goiás, em 2010. Assumiram, e decidiram não voltar a sofrer. "Quando levamos o gol, nos olhamos e soubemos que estava tudo bem. Íamos reagir." O Corinthians jogou mal o primeiro tempo e decidiu marcar. No segundo tempo contra o Santos, empatou o jogo e o Santos só chutou uma bola ao gol de Cássio.

Jogar contra o Boca, na Libertadores, contra o Coritiba, na Copa do Brasil, não será fácil para Corinthians nem Palmeiras. Mas há um espírito de vitória no ar que pode levar ambos à taça. Faltam três semanas para ter certeza.

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