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O desafio da Libertadores

O clássico contra o Santos, na semana passada, ficou marcado como um dos grandes jogos de Rogério Ceni com a camisa são-paulina. Foi espetacular, um momento tão importante na carreira do veterano goleiro que deixou em segundo plano um questionamento relevante sobre o futuro da equipe: como o Santos, mesmo sem Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, conseguiu finalizar tantas vezes?

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 02h03

Para bom entendedor, um caminhão de finalizações basta. Rogério começou seu último ano como goleiro em grande forma, mas o grupo precisa correr mais e trabalhar exaustivamente como equipe para superar o Corinthians na Libertadores. Além de buscar mais profundidade na defesa adversária, como ressaltou Muricy depois do 0 a 0 na Vila.

A escalação de um jogador a mais no meio de campo é uma das surpresas disponíveis para o treinador. Mas pode diminuir a contundência dos contra-ataques como efeito colateral. O mesmo pode acontecer com Tite, se optar por seu quinteto constituído por Elias, Renato Augusto, Jadson, Emerson e Danilo como solução para a ausência de Guerrero.

Certeza sobre o que vai acontecer ninguém tem, pode ser um confronto aberto ou um jogo estacionado no meio de campo. As vitórias obtidas no sábado, no Paulistinha, dizem muito pouco sobre o jogo desta quarta-feira. Constituídas basicamente por reservas, as equipes prestaram, no máximo, para uma ou outra observação individual, casos específicos do tricolor Dória e do agora alvinegro Vágner Love.

O primeiro clássico dessa imensa rivalidade na Libertadores é tão relevante que sai na frente quem conseguir transportar para o campo a importância do momento histórico. Nesse aspecto, o Corinthians leva uma pequena vantagem. Em apenas oito dias, superou o Once Caldas em mata-mata classificatório para a fase de grupos e venceu o Palmeiras, no Allianz Parque.

Ninguém vai saber como o time teria se comportado se Lodeiro não tivesse sido negociado com o Boca Juniors e Jadson permanecido no banco de reservas. Sem a bola, o ex-são-paulino participa do sistema defensivo no setor direito, com a posse dela ajuda a moldar um Corinthians com mais passe e um corredor para o lateral Fagner apoiar.

O núcleo formado por Elias, Renato Augusto e Jadson é uma novidade, que ainda pode ter Danilo na vaga de Guerrero. Émerson completa o quinteto, que tem mais experiência, passes, triangulações e agora infiltrações letais, mas peca em velocidade.

Apesar do desfalque do seu principal atacante, Tite parece ter menos dúvidas para escalar do que seu colega Muricy. A Libertadores não é uma novidade para o São Paulo, até as colunas do Morumbi sabem o que um grupo vencedor precisa para se dar bem. Sem o entendimento de que a qualidade individual se fortalece apenas com a coesão das tarefas coletivas, não funciona. Esse é o desafio.

Para se dar bem em Itaquera, o São Paulo terá que primeiro marcar para depois criar. É vital recuperar a bola e demonstrar força, ser tão competitivo ou mais que um adversário que tem se destacado nos últimos anos pelo seu sistema defensivo, do qual todos participam.

A pré-temporada, finalmente decente, contribuiu na preparação. O jogo coletivo, sustentado pela disposição física, às vezes traduzida por espírito de luta, ainda carece de uma confirmação tricolor. Isso o time não apresentou em quantidade suficiente para melhorar sua postura tática.

Apesar de o Corinthians ter mostrado estar mais perto do que pretende seu treinador, seria demais apontá-lo como favorito. O equilíbrio emocional, o fato de jogar em casa e ter uma torcida que naturalmente joga junto, são importantes, mas não definitivos. Vai ser um bom teste para o São Paulo, pois a campanha pelo quarto título da Libertadores não vai encontrar nada muito mais suave pelo caminho.

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