O desafio de Bruno

A chance dada a Bruno Senna era algo de que se falava havia algum tempo pelos paddocks da F-1 e ganhou força quando ele teve a oportunidade de pilotar o carro em apenas 25 voltas no primeiro treino livre de Hungaroring e ficou 7,6 décimos de segundo atrás de Vitaly Petrov mesmo sem conhecer o kers e a asa móvel, na qual ele confessa ter sido difícil confiar plenamente. E o acerto da Renault se confirmou ontem no bom desempenho de Bruno, que terminou em 17º com apenas duas voltas de pneu slick e, na chuva, chegou a ocupar a primeira posição por alguns poucos segundos.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2011 | 00h00

Bruno está aí porque a experiência de Nick Heidfeld (hoje com 183 GPs), que foi a razão pela qual ele foi escolhido para substituir Robert Kubica às vésperas do início da temporada, não trouxe o que a Renault esperava. Ele até soma dois pontos a mais que Vitaly Petrov (34 a 32), mas é pouco. Petrov tem apenas 30 GPs e nas onze corridas deste ano largou oito vezes à frente de Heidfeld.

No dia em que Bruno Senna nasceu, 15 de outubro de 1983, Nelson Piquet conquistava seu segundo título mundial uma semana depois de Ayrton Senna vencer o campeonato inglês de Fórmula-3 que lhe garantiu o passaporte para a F-1 no ano seguinte.

Por influência do tio, Bruno começou a correr de kart, mas aos 10 anos de idade interrompeu a carreira como consequência normal da morte de Ayrton. Nos dez anos seguintes não se falou de automobilismo na família. Até que em 2004 ele resolveu experimentar a Fórmula-BMW na Europa, fez seis corridas e convenceu a família de que deveria continuar. Com pressa para recuperar o tempo perdido, ele correu os dois anos seguintes na F-3 inglesa, terminando o campeonato de 2006 em 3º com 5 vitórias e 9 pódios. Mais dois anos na GP2, onde foi vice-campeão em 2008, e Bruno estava às portas da F-1.

Ele era a bola da vez da equipe Honda para 2009. Tão certo quanto o acordo da equipe para usar gasolina Petrobras. Uma semana depois do GP do Brasil, a Honda anunciava a sua retirada da F-1.

Do espólio nasceu a Brawn, que foi a grande campeã do ano.

Em 2009, Bruno disputou as "24 Horas de Le Mans", mas a ambição da F-1 o levou a aceitar o desafio de uma equipe em formação para 2010. Sem dinheiro, a Hispania fez um campeonato em que o melhor resultado foi um 14º lugar.

Este fim de semana, para Bruno, é hora de esquecer o pesadelo. Feliz da vida, ele diz que andou seis vezes em Spa (BMW, F-3, GP2 e F-1) e é a sua pista preferida. Ele corre também em Monza e pode ficar até o fim do campeonato. O outro reserva da Renault é Roman Grosjean, que deve ser campeão da GP2 em Spa. Como a França não tem um piloto na F-1, ele é um sério rival de Bruno para o futuro, se Kubica não puder voltar.

E já lá se foram 20 anos. Quando o nome de Schumacher apareceu na lista de inscritos do GP da Bélgica de 1991, o piloto a quem ele substituía na Jordan era mais notícia.

O francês Bertrand Gachot fez a tremenda bobagem de jogar spray de pimenta na cara de um motorista de taxi em Londres em meio a uma discussão e foi preso. A vaga na Jordan foi preenchida por um tal de Schumacher ao custo de R$ 379 milhões pagos pela Mercedes-Benz.

Quando começaram os treinos, a boa história do Gachot ficou esquecida. O tal alemãozinho protegido da Mercedes fez o 6º tempo de cara.

E não ficou por aí. Acabou largando em 7º. A embreagem quebrou na largada, e depois se soube que Michael já tinha avisado a Eddie Jordan que a embreagem tinha vida curta, mas o irlandês dono da equipe, e tremendo pão duro, não quis trocar por uma nova e fingiu que estava tudo bem. Da mesma forma como fingiu acreditar na palavra do empresário Willi Webber, que ao oferecer Schumacher, garantiu que ele era um especialista em Spa-Francorchamps.

Na verdade, tudo o que o alemão tinha de experiência do circuito era uma volta de bicicleta. Já na corrida seguinte, em troca de mais dinheiro, Eddie Jordan negociou o passe de Schumacher com a Benetton, que dispensou o brasileiro Roberto Moreno.

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