O desafio de Spa

O GP da Bélgica foi aquele que mudou o rumo do campeonato no ano passado. Graças à proeza de Romain Grosjean, que, pela sexta vez em doze largadas, causou uma grande confusão batendo na McLaren de Hamilton, voando sobre a Sauber de Perez e caindo em cima da Ferrari, a um palmo da cabeça de Alonso. Ali, o espanhol viu encerrada uma série de 23 corridas seguidas marcando pontos e, no final, com o 2.º lugar de Vettel, ainda viu sua vantagem na liderança despencar de 42 para 24 pontos. Quatro corridas depois, Vettel assumiria a ponta do campeonato rumo ao tri que nem os sete pódios seguintes de Alonso conseguiriam evitar.

REGINALDO, LEME, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2013 | 02h05

Se mesmo com a campanha do ano passado, considerada a melhor de seus 12 anos na F-1, Alonso não conseguiu sair da fila, é de se imaginar que, diante do atual panorama, só um milagre poderá evitar mais um ano de fila, o quarto na Ferrari e o sétimo desde o seu último título pela Renault em 2006. É isso o que leva o espanhol ao limite do que a paciência dele pode suportar. De que adianta ser o melhor do mundo e amargar sete anos sem ganhar campeonato? Schumacher também passou quatro anos na Ferrari antes de conseguir o primeiro título. Mas, além de ter chegado à Ferrari na época em que a equipe amargava 17 anos na fila, o alemão perdeu metade do campeonato de 1999 por ter fraturado a perna num acidente em Silverstone. Até então, ele acumulava 16 vitórias pela equipe italiana. Alonso, nesse mesmo tempo, venceu 11 vezes.

A Ferrari promete acordar. Quatro semanas a portas fechadas para cumprir o acordo de férias obrigatórias não quer dizer que os engenheiros responsáveis por criar coisas novas tenham desligado seus computadores e suas mentes, responsáveis por criar novidades para enfrentar as nove etapas do restante do campeonato. No ano passado, este foi o tempo necessário para a Red Bull virar o jogo não apenas em cima da Ferrari, mas também da McLaren. Pela importância histórica e pelo que exige de técnica, nenhum outro circuito do mundo mereceria mais do que Spa-Francorchamps o privilégio de abrir a segunda metade do Mundial e nos mostrar o que teremos pela frente. Um dos seis circuitos que fizeram parte do primeiro Mundial de F-1 (1950), sem considerar Indianápolis, que fazia parte, mas não contava com os pilotos de F-1, Spa marcou primeira vitória de mitos como Jim Clark e Michael Schumacher, e tem como maiores vencedores o próprio Schumacher (6 vezes) e Ayrton Senna (5).

Spa e Nurburgring, distantes 120 quilômetros um do outro, compõem o que os amantes do automobilismo chamam de "coração do esporte a motor". Ambos nasceram e fizeram história formados, em parte, por rodovias que são fechadas ao público em fins de semana de corrida. Com o tempo, em nome da segurança, foram perdendo essa característica. Nurburgring, após o acidente de Niki Lauda em 76, teve a pista reduzida de 22,835 para 5,148 quilômetros. Spa chegou a ficar fora do calendário de 1971 até 1983, e só voltou com o circuito reduzido para a metade - de 14,080 km, passou a ter os 7,004 km de hoje. Ainda manteve um terço de sua extensão usando a estrada que liga Francorchamps a Stavelot.

Os oito décimos de segundo que os dois carros da Red Bull cravaram nas costas dos rivais ontem são, de fato, uma demonstração de força. Mas o tempo de Vettel - 1min49s331 - está ainda muito longe do que se pode alcançar na classificação de hoje. A pole do ano passado foi 1min47s298 e, com os pneus deste ano, pode ficar na casa de 1min46. Tudo isso se a pista estiver seca, mas existe a possibilidade de chuva. A briga pela pole position traz uma grande curiosidade - nas últimas nove corridas disputadas em Spa nove pilotos diferentes largaram na pole (Schumacher, Trulli, Montoya, Raikkonen, Hamilton, Fisichella, Webber, Vettel e Button).

Ainda que tenha liderado com tranquilidade o primeiro dia de treino, a Red Bull, que é tricampeã mundial, só venceu uma vez em Spa. E mesmo a Ferrari, que é a maior vencedora nessa pista (16 vezes), tem de mudar o rumo das coisas porque a sua última vitória foi em 2007, com Raikkonen. O finlandês é um nome forte do fim de semana. Vice-líder do campeonato, pontuando há 27 corridas seguidas e o mais bem sucedido do grid em Spa, com quatro vitórias.

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