O desafio diário de um jovem piloto

Estreantes brasileiros sofrem e aprendem com as dificuldades de ter de mostrar serviço com recursos bem limitados

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

O GP de Bahrein representou a estreia de ambos na Fórmula 1. Depois vieram as provas da Austrália e Malásia. Essa a experiência de Bruno Senna e Lucas Di Grassi, das também estreantes equipes Hispania e Virgin. E depois de três etapas do Mundial, os dois dizem ter já aprendido muito sobre a Fórmula 1, principalmente "como é complexa".

Sexta-feira os dois foram treinar de kart com Felipe Massa num kartódromo localizado próximo a Saint Tropez, a cerca de uma hora de carro de onde residem, em Mônaco. Logo em seguida Bruno e Di Grassi comentaram sobre as lições aprendidas nas três corridas de Fórmula 1: "É difícil andar lá atrás, tomar volta dos líderes, nenhum piloto gosta disso" diz Bruno que, como Di Grassi, já foi vice-campeão da GP2, competição de acesso à Fórmula 1.

"Penso que o mais difícil é saber explorar o potencial máximo do carro em cada condição, pneu mole, duro, novo, usado, com mais ou menos gasolina", explica Di Grassi. "É diferente de tudo o que fiz até agora no automobilismo." A necessidade de a equipe descobrir a cada etapa alguma novidade que torne o carro mais rápido, em razão da concorrência, fascina Bruno.

"Nas categorias onde passei o carro era aquilo e acabou. Na Fórmula 1 há sempre gente estudando onde é possível ser mais rápido, é um enorme desafio". No caso de Bruno é frustrante ver como a estrutura da Hispania limita seu trabalho. "Começamos muito tarde, não treinamos. Estamos atrás das outras equipes estreantes também, mas ao menos terminamos a última prova, o que nos permite começar a pensar em melhorar o desempenho do carro."

Curiosamente os dois se dizem surpresos com a solicitação orgânica exigida na Fórmula 1. "Esperava que fosse maior. Terminei a corrida da Malásia e disputaria outra, se necessário", disse Di Grassi.

O heptacampeão Michael Schumacher explicou que com o fim do reabastecimento, este ano, os carros se tornaram mais lentos, por carregar grande volume de gasolina.

Apesar de amigos e vizinhos, os dois têm objetivos comuns e conflitantes. "Em primeiro lugar, ser mais consistente, o que um ano longe dos monopostos me cobra. Quero, ainda, ser o melhor estreante", conta Bruno. "Os resultados não são fundamentais, agora, apesar de que um ponto para a Virgin seria bem útil", diz Di Grassi. "Meu foco está sendo tirar tudo do carro, nas mais distintas condições. Sei que tenho muito o que evoluir nesse aspecto", confessa Di Grassi. Bruno e Di Grassi alternam com seus companheiros de equipe, Karun Chandhok, na Hispania, e Timo Glock, Virgin, quem é o mais veloz.

Mas se a inexperiência e falta de recursos de Hispania e Virgin representam o principal fator que impede Bruno e Di Grassi de mostrar melhor seu potencial, participar de um projeto tão incipiente tem sido uma oportunidade rara. "Estou vendo o que acontece se mexer nisso e aquilo, aprendo todo dia. Num time grande já está tudo pronto", comenta Bruno, com a concordância de Di Grassi. Os dois voltam à pista, agora, sexta-feira, nos treinos livres do GP da China, quarta etapa do calendário. E como tem sido até agora, visando apenas receber a bandeirada.

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