O desafio dos pneus

Há mais de três décadas os pneus têm importância fundamental na Fórmula 1, a ponto de os carros serem projetados em função deles. Mas os 20 anos em que a Pirelli ficou fora da Fórmula 1 foram suficientes para os pneus ganharem uma importância que vai além da performance dos carros. Hoje são eles que podem criar diferentes opções de estratégia nas corridas. E foi esse o desafio imposto à Pirelli no retorno da marca à categoria - uma significativa redução na durabilidade dos compostos mais duros para que as corridas tenham mais paradas, tornando-se menos previsíveis.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2011 | 00h00

Vindo diretamente de Bernie Ecclestone, o pedido aumentou a responsabilidade dos técnicos da Pirelli. Mas a ideia de colaborar com o espetáculo foi plenamente encampada. Tudo o que foi feito desde julho do ano passado teve esse objetivo. Os novos pneus foram construídos para permitir uma estratégia de dois pit stops nas corridas, segundo revelação exclusiva do diretor de motor-esporte da Pirelli, Paul Hembery, para o anuário AutoMotor, que chega às livrarias em dez dias.

A própria Pirelli também mudou muito desde 1991, o último ano da marca na F-1 e, curiosamente, o primeiro de Michael Schumacher. Como diz Hembery, citando esta coincidência, "a única semelhança com aquela época, temporada de estreia do Michael, é que o nosso nome continua sendo Pirelli. Tecnologia, pessoas, fábricas, o resto todo mudou muito". O trabalho de projeto, construção e desenvolvimento ocupou oito meses dos engenheiros e técnicos. Os pilotos responsáveis pelos testes foram o alemão Nick Heidfeld, o espanhol Pedro de la Rosa e o francês Romain Grosjean, três estilos e experiências diferentes pilotando um antigo Toyota TF109. Os treinos particulares realizados em diversas condições climáticas, entre julho e novembro de 2010, determinaram os quatro tipos de pneus para pista seca, mais os de chuva.

A primeira experiência das equipes com esses novos compostos aconteceu dias depois do encerramento da temporada, em Abu Dabi. Até lá, a Pirelli tomou o maior cuidado, incluindo um forte esquema de segurança, para que as informações transmitidas aos times, que pagam pelos pneus, chegassem ao mesmo tempo, sem privilégios. Na semana passada a Pirelli completou o programa de testes particulares com uma novidade histórica - testes noturnos com pista molhada. Durante dois dias seguidos, a pista de Abu Dabi recebeu 140 mil litros de água para os treinos que iam das 18 horas até meia noite. Durante esses treinos especiais, definiu-se os modelos de pneus de chuva - inclusive os intermediários - que serão usados em 2011. E os técnicos conheceram o ponto exato em que é necessário mudar do pneu de chuva normal para o intermediário (chuva fraca), e vice-versa.

20 mil quilômetros. Nesses quatro dias, entre pista seca e molhada, a Pirelli completou dois mil quilômetros usando quatro compostos diferentes de seco e dois de chuva. Na semana anterior tinham sido mais 1,1 mil quilômetro na pista de Bahrein. Isso leva a um total acumulado de mais de 20 mil quilômetros desde o primeiro dia de testes da Pirelli, na época ainda com o piloto Nick Heidfeld, em agosto. De la Rosa, que substituiu Heidfeld em outubro, garante que os pneus estão prontos para começar o campeonato. Agora, de terça até quinta-feira, as equipes testam esses pneus já com seus carros novos. Antes da estreia no Mundial em 13 de março, haverá outras três sessões.

De volta à F-1, a Pirelli está retomando uma história antiga, que começou em 1950 fornecendo pneus para os carros italianos durante a primeira década do Mundial. Houve um breve retorno em 1981, inicialmente com alguns times pequenos - entre eles a Copersucar Fittipaldi. Nesta nova fase, foi também um brasileiro o responsável pela primeira vitória - Nelson Piquet, de Brabham, em 85. E foi também Piquet o dono da última vitória da Pirelli em 91 no Canadá, já pela Benetton.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.