O dia em que Federer foi arrasado

Escocês Andy Murray faz exibição de gala, ganha fácil do suíço (6/3 e 6/2) e conquista o Masters 1000 de Xangai

, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2010 | 00h00

XANGAI

Andy Murray é um tenista talentoso, técnico, eficiente. E, ao mesmo tempo, imprevisível. Em dias de destempero, mau humor, nervosismo, costuma jogar a bolinha na plateia algumas vezes, errar pontos fáceis e perder para adversários de baixo nível. Em dias de inspiração, é capaz de fazer o que fez ontem: dominar e arrasar Roger Federer.

O escocês, com atuação perfeita, venceu com sobras o suíço por 6/3 e 6/2, em apenas 1h25, e conquistou o Masters 1000 de Xangai. Surpreendente pela qualidade do rival e pela semana até então impecável de Federer, que não havia perdido nem sequer um set na China.

Murray, de 23 anos e quarto do ranking mundial, levou o sexto troféu em torneios de nível Masters da carreira e derrotou o rival de ontem pela oitava vez em 13 confrontos. "Tive uma semana ótima e joguei o meu melhor tênis, o que era necessário para conseguir vencer o Federer."

O campeão realmente foi brilhante ontem e ainda contou com alguns erros não muito comuns do suíço. Obteve quatro quebras de serviço, duas em cada set e não cedeu nenhum game em seu saque.

"Andy não me deu oportunidades de pôr em quadra alguns de meus melhores golpes", lamentou Federer, conformado. "Ele jogou muito bem e eu perdi algumas chances no início, o que minou minha confiança e o ajudou a crescer no jogo."

O revés foi um dos mais contundentes sofridos por Federer, de 29 anos. Em pouquíssimas ocasiões, o astro foi tão facilmente dominado como ontem. "Estou feliz, porque cometi muito poucos erros em toda a semana e, obviamente, esse jogo com o Federer foi espetacular para mim", festejou Murray.

O ídolo escocês já acumulou 16 títulos e mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 20,5 milhões) em premiação. Mas ainda lhe falta uma conquista importante no currículo: a de um Grand Slam.

"É o que quero buscar, mas não acho que preciso melhorar meu jogo para conquistar um Grand Slam", comentou. "Basta ter tranquilidade e repetir o que fiz nesta semana."

Em 2008, passou perto. Chegou à final do US Open, mas acabou perdendo a decisão nos Estados Unidos justamente para Federer, que não lhe deu nenhuma chance: 6/2,7/5 e 6/2.

Consolo. A derrota para Murray em Xangai custou o reencontro de Federer com os títulos - o último foi em Cincinnati, no meio de agosto -, e o impediu de igualar Pete Sampras em número de conquistas na carreira - o norte-americano foi campeão 64 vezes.

Mas, pelo menos, o suíço sai da Ásia com algo a comemorar: recuperou a segunda colocação do ranking mundial. Federer ultrapassa o sérvio Novak Djokovic, a quem bateu na semifinal do Masters 1000 chinês, no sábado. No entanto, ainda está muito atrás da pontuação de Rafael Nadal e, por isso, não tem possibilidade de roubar do espanhol a liderança antes de fevereiro de 2011.

O jogador agora disputará o ATP de Estocolmo como cabeça de chave número 1 nesta semana, em que também estará presente Thomaz Bellucci. O brasileiro estreará, provavelmente amanhã, contra o norte-americano James Blake.

ASCENSÃO

16

títulos já conquistou o escocês Andy Murray em sua carreira.

Desses, seis foram torneios de nível Masters. Falta ao tenista, porém, um Grand Slam - em 2008, chegou à decisão do US Open mas perdeu para o suíço Roger Federer

lugar é a posição no ranking mundial que Roger Federer assumirá hoje, ultrapassando Novak Djokovic

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