O dono do pedaço

Como pode um time ter Lucas, Dagoberto, Fernandinho, Rivaldo, Cícero, Wilsinho e Marlos, e mesmo assim apresentar deficiências no ataque? O empate do São Paulo com o Atlético-PR, no Morumbi, mais uma vez mostrou uma defesa desfalcada e mal posicionada, além de ajudar a medir o tamanho do vazio na área, onde a jogada precisa ser transformada em gol.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2011 | 00h00

Os números do Campeonato Brasileiro revelam uma equipe letal como visitante, graças às características de contra-ataque, mas amarrada em casa quando se defronta com adversários recuados, quando precisa tocar a bola, trocar passes e buscar a infiltração para o gol.

Isso só vai acontecer no momento em houver um jogador na área para receber a bola, como Luís Fabiano, hoje apenas miragem no oásis tricolor.

Por uma questão de estilo da turma responsável pelo jogo ofensivo, falta um ponto de apoio nos últimos 20 metros do campo. Conduzir a bola até lá tem sido fácil, a dificuldade está em mandá-la para a rede.

Enquanto no Morumbi o aproveitamento de 58% dos pontos disputados é apenas regular para um postulante ao título, fora de casa o rendimento de 75% tem sua explicação.

O time trabalha no rastro da coragem e do espaço oferecido pelos oponentes, quando é vertical para o ataque, sem paradas desnecessárias, aproveitando-se da vulnerabilidade das defesas.

A exemplo de tantos times brasileiros, falta profundidade ao São Paulo, princípio básico do jogo ofensivo, seja ele construído por um jogador especialista na função ou não.

O problema pode ser minimizado com treinamentos, trabalho específico de posicionamento e melhor distribuição tática, mas só com Luís Fabiano será resolvido.

Até a década de 1980, o gramado foi subdividido de acordo com as especialidades de cada jogador. As funções eram mais claras, mais bem definidas. O ataque, ocupado por um trio, ponta-direita, centroavante e ponta-esquerda, tinha nome e sobrenome. Hoje todos são atacantes.

A diferença é que dificilmente a área ficava vazia. Hoje podemos nos lamentar: como faz falta um centroavante de verdade, raridade no futebol brasileiro. Até o Corinthians, ainda na liderança, também pode atribuir seu momento irregular à contusão de Liedson. Mano Menezes deve se preocupar com isso.

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