O encontro dos reis dos pontos corridos

Muricy e Luxemburgo dividem 4 títulos desde 2003

Juliano Costa e Marcius Azevedo, O Estadao de S.Paulo

15 de outubro de 2008 | 00h00

Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho não têm estilos parecidos. Longe disso. Mas uma coisa os dois rivais do jogo de domingo, no Palestra, sabem fazer como nenhum outro treinador no Brasil: conduzir bem um time em campeonato por pontos corridos. Esse formato de disputa foi adotado pela CBF em 2003. Das cinco edições, Luxa e Muricy conquistaram quatro. O palmeirense faturou o título com o Cruzeiro em 2003 e o Santos, em 2004. Já o são-paulino foi bicampeão em 2006 e 2007, já pelo Tricolor - tenta agora o inédito tri por um mesmo time, na competição.O único intruso é Antonio Lopes, campeão com o Corinthians em 2005. Mesmo assim, Muricy reclama até hoje que seu Internacional só não ficou com o título porque o time de Parque São Jorge foi beneficiado pela remarcação de 11 jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho, o pivô da Máfia do Apito, quadrilha que manipulava resultados para beneficiar apostadores. Já Luxemburgo não disputou o Brasileiro naquele ano porque estava no Real Madrid, da Espanha. "É uma competição que, particularmente, eu sei disputar", diz Muricy, sem modéstia.E é exatamente por conhecer o caminho das pedras que o treinador sabe o quanto é importante vencer o Palmeiras. Hoje, o São Paulo, em quarto lugar, está dois pontos atrás do vice-líder, que tem 54. "Claro que é um jogo importante, mas não podemos achar que o campeonato irá acabar no domingo."Luxemburgo concorda. "Se o Palmeiras ganhar, abre cinco pontos sobre um rival direto. E se perder, fica para trás, mas nada que decida." Nos cálculos do palmeirense, seu time precisa de 21 pontos em 27 possíveis para levar o título. "Acredito que 75 pontos sejam suficientes para ser campeão. Com 76 garante matematicamente." Já Muricy não quer nem saber de contas. "Depois do jogo contra o Atlético Mineiro (empate por 1 a 1), nós definimos que tínhamos de ganhar todos os jogos."Para alcançar o objetivo novamente, tanto Luxemburgo quanto Muricy sabem o que fazer. "Quem não pontuar fora de casa, certamente vai ficar fora", avisou o palmeirense. "O segredo é ganhar como visitante", emendou o são-paulino.Os técnicos adotaram planejamentos diferentes na semana do clássico. Enquanto Muricy preferiu treinar no CT sem regime de concentração, Luxemburgo levou o time para Atibaia. "Não existe motivo para sair daqui. Eles vão ficar aqui o dia todo, mas depois eles vão para casa." O palmeirense pensa diferente: "Viemos pra cá para trabalhar, não para ter sorte. Não adianta ficar fazendo churrasquinho na piscina esperando a sorte chegar. Tem que trabalhar. Viemos para preparar os jogadores. Aqui, eles vivem o jogo. A concentração é importantíssima." ASES DO TURNO E RETURNO363 pontosconquistou Luxemburgo nas cinco edições de que participou do Brasileiro em pontos corridos61,4% é o aproveitamento do técnico neste formatode competição412 pontosconquistou Muricy nas seis edições de que participou do Brasileiro em pontos corridos60,2% conquistouo técnico nesse formato de competição

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