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O esporte e o divã

Os atletas, em sua maioria, resistiram durante bom tempo, mas nos últimos anos reconheceram a importância da psicologia no desempenho esportivo. A cabeça tem papel tão fundamental quanto os pés, as mãos, o corpo. O supercampeão Michael Schumacher brilhou na Fórmula 1 (uso o passado, porque hoje ele só cumpre tabela na categoria) por causa de seu talento e também pela autoconfiança, coragem e ousadia. Rafael Nadal é excelente tenista, mas duvido que teria ido tão longe se não fosse sua força mental.

EDUARDO MALUF, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h06

Faço a introdução para falar do clássico de domingo entre Corinthians e São Paulo, no Pacaembu. Alguém acha que os corintianos se tornaram tão melhores que os são-paulinos da metade de 2007 para cá? Os últimos 14 confrontos registram oito vitórias alvinegras e apenas uma tricolor.

Olhando time por time, escalação por escalação, a goleada dos atuais campeões brasileiros não tem nenhuma lógica. A única explicação que vejo para o fenômeno é o fator psicológico. Conversando com especialistas da área e até mesmo dirigentes, vejo que mais gente pensa como eu.

O São Paulo dos últimos anos tem enxergado o Corinthians como uma enorme barreira. Entra em campo considerando-se zebra, intimidado, com medo de arriscar. Provavelmente por causa da pressão de sua própria torcida e pela sequência de resultados negativos, que só foi amenizada com a vitória por 2 a 1 no Paulistão de 2011, em jogo marcado pelo centésimo gol de Rogério Ceni. Claro, em uma cobrança de falta que não deu chance ao goleiro Julio Cesar.

A impressão, depois daquela partida, era de que a confiança retornaria. Não passou de impressão. No início do Brasileirão, a equipe então dirigida por Paulo César Carpegiani sofreu recaída ao levar uma surra de 5 a 0.

O confronto que mais simbolizou o complexo de inferioridade, no entanto, foi o último, em setembro, também pela competição nacional. O Corinthians vivia momento turbulento, Tite tentava driblar a ameaça de demissão e o São Paulo arrancava para a liderança. O Morumbi estava lotado de tricolores. O time da casa, já sob o comando de Adilson Batista, dominou a partida, mas não teve coragem suficiente para vencer. Parecia sentir-se mais pressionado que o adversário. No fim, quando acreditava que o gol não sairia mais, resolveu conformar-se com o empate por 0 a 0.

Aquele clássico resultou no renascimento corintiano e representou o início da queda do São Paulo. É difícil para o torcedor admitir, mas o fato é que os são-paulinos acabaram sendo decisivos para o título alvinegro.

Como todos da primeira fase, o jogo deste fim de semana não tem nenhuma importância para as duas equipes no Paulistão - ambas vão se classificar sem suar a camisa. Para o são-paulino, contudo, vale muito. Já passou da hora de o time voltar a mostrar um futebol mais corajoso contra seu maior adversário.

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