O favorito é a bola

Boleiros

Daniel Piza, daniel.piza@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

O favorito é a bolaHoje só os burocratas e os invejosos estão tristes, porque é dia de alegres expectativas no planeta da bola; hoje não importam os placares, porque os resultados só serão positivos para quem gosta de verdade de futebol (ou de futebol de verdade). Especialmente a final da Liga dos Campeões, nesta "superquarta", às 15h45, tem ares de jogo histórico antes mesmo de começar. Que Manchester e Barcelona tenham chegado a ela é motivo de satisfação para todos que não se conformam com um mundo dividido entre vencer feio e perder bonito.Os dois times somam técnica e esforço; são combativos e criativos ao mesmo tempo. O Manchester é a melhor defesa, o Barcelona o melhor ataque, mas ambos sabem defender desde o ataque e atacar a partir da defesa. Ambos jogam com três atacantes - um mais à frente, dois caindo mais para os lados e se movimentando bastante. E ambos confiam em talentos com liberdade para ousar nos momentos certos, sem medo de partir para cima do adversário. Pois foi assim que conquistaram as respectivas ligas nacionais.O Barça tem a visão de jogo de Xavi, o poder de fogo de Eto?o, a condução de Iniesta, as subidas de Daniel Alves, a petulância de Henry - que só não foi melhor do mundo em sua carreira porque viveu na era de Zidane e Ronaldo. O Manchester tem a incisividade de Rooney, a velocidade de Park, a opção de Tevez, um goleiro como Van Der Sar. E, claro, hoje é dia de ver novo confronto entre Cristiano Ronaldo e Messi. O português se desloca mais, chuta melhor de longe, é mais forte; o argentino é mais surpreendente, tem mais controle, é mais liso. A final pode decidir em 90 minutos quem é o melhor do ano.É verdade que o Manchester não jogou tão bem nesta temporada como na anterior, quando bateu o Barça na semifinal da Champions. Não à toa, Cristiano Ronaldo fez mais gols então, Messi fez mais agora. Naquela partida o Barça não tinha Henry e Daniel. Já o Manchester tinha Tevez titular e Scholes em vez de Anderson. Um melhorou no sistema ofensivo, o outro no defensivo, mas nenhum dos dois é de ficar na retranca ou apostar em mais de um volante de marcação. E essa é a grande notícia. O único favorito é a bola.ABAIXO DO EQUADOROs outros jogos ansiados da jornada são Cruzeiro e São Paulo, na Libertadores, e as semifinais de Corinthians com Vasco e Internacional com Coritiba na Copa do Brasil. Há menos talentos nos campos, mas há o suficiente para esperar boas jogadas e fortes emoções. O Cruzeiro vive melhor momento, com Ramires e Kleber, mas a experiência do São Paulo sempre pesa. (O que não dá é para atribuir a má fase de um Hernanes, como a de um Keirrison, ao esquema tático. Uma partida é bem mais profunda do que uma prancheta.) O Corinthians não tem Ronaldo, mesmo assim é mais coeso que o Vasco. E o Inter joga com dois velocistas, Taison e Nilmar, e um organizador, D?Alessandro, devidamente protegidos por Guiñazu e Magrão. Que tais exemplos de futebol moderno, ao mesmo tempo veloz, hábil e entrosado, se multipliquem. Que a quarta-feira não seja de cinzas, mas de clarões.MAU JUÍZONossos tribunais estão se aprimorando na arte de punir bobagens de jogadores, mas nada fazem contra o estrago dos juízes. O pênalti não assinalado de Miranda em Diego Souza vai ficar impune?

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