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O futebol americano ainda vive em um cenário amador no Brasil

Equipes são mantidas por atletas que pagam do próprio bolso para atuar

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2014 | 05h00

SÃO PAULO - Falta de campos próprios para prática do esporte, equipamentos caros e pouco, ou nenhum, investimento de patrocinadores. Este é o cenário do futebol americano no Brasil, que sobrevive graças a atletas apaixonados que pagam do próprio bolso para manter suas equipes.

Atualmente, duas ligas amadoras se destacam no País. O Campeonato Brasileiro, organizado pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), entidade filiada a Federação de Futebol Americano (IFAF), foi disputado por 33 equipes em sua última edição. Campeão em 2013, o time do Coritiba Crocodiles teve até que vender rifas para sair da região sul e jogar a final na Paraíba, contra o João Pessoa Electros. "Não ganhamos nada para jogar. Pelo contrário. Pagamos do nosso bolso. Em 2013, o Crocodiles disputou 17 partidas (venceu todas), jogou do Sul ao Nordeste do Brasil", conta Gerard Kaghtazian Junior, advogado, presidente e jogador da equipe.

Apesar de ostentar o nome do Coritiba Foot Ball Club, a parceria engloba apenas a cessão de marca, sem envolver dinheiro. "O uso da marca abre portas, tanto na mídia, quanto com o público, possíveis patrocinadores e apoiadores. Além disso, são criados produtos com a marca conjunta e ambos recebem royalties pelas vendas", afirma o presidente Kaghtazian.

A utilização da marca de clubes de futebol é comum no futebol americano. O Torneio TouchDown, liga amadora independente, teve 20 equipes em sua edição de 2013, e junto com o campeão Jaraguá Breakers se destacam o Corinthians Steamrollers, Santos Tsunami, Vasco da Gama Patriotas e Flamengo FA. Um dos sócios desta liga é Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula.

QUASE PROFISSIONAL

Em 2013, a Liga de Futebol Americano (LFA) chegou com uma proposta de profissionalizar o esporte no Brasil. O primeiro passo seria importar 42 atletas norte-americanos, cheerleaders e até treinadores estrangeiros para o campeonato. Seis novas equipes seriam criadas e contariam com 228 atletas brasileiros que participaram de "peneiras".

Porém, A LFA acabou perdendo seu principal patrocinador e cancelou o torneio. "Os times brasileiros ainda não encontraram um modelo de receita e sem isso não é possível se profissionalizar, a gente acreditava que tinha um", disse Marcelo de Paulos, presidente da LFA.

Apesar do revés, Paulos acha que o projeto apresentado já ajudou um pouco na profissionalização do esporte, demonstrando a viabilidade financeira. "A gente já tinha feito contrato com o parque Villa Lobos para a construção de uma arena, já tinha fechado um contrato de longo prazo com a televisão, mas infelizmente um investidor chave resolveu desistir. Isso já foi um primeiro passo".

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