O garoto cresceu

Hoje não tem escapatória e sai o campeão paulista. Na semana passada, Corinthians e Santos fizeram bom jogo, mas aquém do que se esperava para uma decisão. Preferiram reservar o melhor para o clássico na Vila. E há indícios mais do que suficientes para acreditar que o encerramento do Estadual seja superior ao que se viu em quatro meses.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2011 | 00h00

Os times não se equivalem - o Santos é ligeiramente superior do ponto de vista técnico -, mas chegam ao duelo definitivo em condições semelhantes. O Corinthians pode anular a diferença na entrega, como ocorreu no Pacaembu, e sobretudo com melhor preparo físico. Passou a semana a treinar, enquanto o rival viajou para a Colômbia e se desgastou com compromisso na Libertadores. A turma de Tite na teoria está mais inteira.

A balança pode pender para o lado dos rapazes de Muricy pela qualidade de alguns dos que estarão em campo, como Elano, Arouca, Leo e o futuro papai Neymar, especialmente ele.

O menino-prodígio não fugiu à responsabilidade, seja no primeiro confronto, há uma semana, quando Ganso se contundiu; seja no desafio com o Once Caldas, mesmo ao levar bordoadas que o fizeram sair de campo a chorar de dor; seja ao assumir a paternidade, fruto de relação com uma jovem cujo nome prefere manter no anonimato, por ser menor. Há muitos homens feitos, craques badalados, que se esconderiam nas três situações. Neymar tem sido corajoso e mostra atitudes de adulto. Será premiado neste domingo com a taça?

É tudo igual O São Paulo gosta de vender a ideia de modernidade, de "difereeeeen-txe", como exalta seu presidente ao alongar vogais e caprichar nos "sss". Por algum tempo, também achei que o clube destoasse da raia miúda, porque investia na formação de atletas, dava razoável estabilidade a técnicos e mantinha verniz de democracia ao fazer rodízio de inquilino na presidência.

O glorioso tricolor três vezes campeão do mundo caiu na vala comum. Vá lá que continue a cultivar bons jogadores em seus viveiros, embora menos do que antes. A rotatividade no alto comando foi para o espaço, com Juvenal Juvêncio a manobrar para ficar no poder além do habitual no Morumbi. E a certeza de emprego do treinador tem o mesmo valor das falsificações compradas a preço de banana em que o vendedor diz "la garantia soy Yo". Azar de quem acreditar...

O São Paulo não difere de seus pares na forma de tratar os "professores". Cada um que chega é apresentado como o homem certo para tocar projetos grandiosos da agremiação. É o cara, não tem ninguém mais bem preparado. Aos primeiros sinais de insucesso, a conversa muda mais do que político oportunista troca de partido. Daí para o cartão vermelho para o técnico é um passo.

O São Paulo fritou, em sua história recente, nomes como os dos Osvaldos (Alvarez e Oliveira), Leão, Cuca, Levir Culpi, Nelsinho Baptista, Ricardo Gomes, o próprio Paulo César Carpegiani. Não necessariamente nessa ordem, mas em geral como o mesmo método. Depois dos cinco anos de Telê Santana (1990 a 1995), só Muricy durou mais, nas campanhas dos últimos três títulos do Brasileiro (2006-07-08), e mesmo assim sob fogo cruzado o tempo todo.

As crises que em priscas eras se discutiam a portas fechadas, agora ganham ares de barraco, com jogadores a descer a lenha no treinador, com cartola que vem a público e lança gasolina na fogueira. Ou seja, igual a Palmeiras e Corinthians, clubes de origem popular e esquentados.

O bate-boca iniciado com as reclamações de Rivaldo após a derrota para o Avaí escancarou a falta de tato dos dirigentes. O meia tem direito de sentir-se preterido, só que carregou nas tintas. Por tudo que representa no futebol, por mais que tenha uma carreira vitoriosa, não havia certeza de que sua presença fosse mudar a sorte da equipe. No fundo, Rivaldo estava por aqui com Carpegiani e resolveu soltar o verbo no calor dos 3 a 1.

Claro que ficou chato, e na hora não teve um bendito diretor, ou o presidente, que aparecesse para absorver o episódio ou colocar panos quentes, mesmo que fosse só para inglês ver. Ao contrário, usaram o craque para corroborar o descontentamento com Carpegiani, como fez Juvêncio no retorno a São Paulo. O tricolor já teve mais tato, mais classe - e também mais rumo. Faz tempo que não sabe para qual lado atirar e chafurda.

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