O herói d?Oeste

Em clima de euforia, Santa Bárbara dedica o dia ao campeão César Cielo

Daniel Brito, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

A estudante Paola Visentim, de 15 anos, interrompeu o almoço ontem para atender à campainha. "Uma mulher que eu nunca vi queria que eu a levasse na casa do Cesão, para pedir um autógrafo", contou. Vizinha de César Cielo no Jardim Alfa, bairro nobre de Santa Bárbara d?Oeste, a estudante é o retrato fiel da euforia que tomou conta da cidade, 130 km distante de São Paulo. "É que ele está tão perto da gente que a medalha de ouro é como se fosse nossa também", explicou.O campeão dos 50 metros livre em Pequim chegou à cidade onde nasceu, 21 anos atrás, no final da noite de segunda-feira, mas não parou para falar com Paola e os demais fãs que o aguardavam."Passei 23 horas no avião. Fui direto para a cama. Peço desculpas a todos. Hoje (ontem) estou melhor e vou me redimir", garantiu.Se ele realmente precisava pedir desculpas, redimiu-se em grande estilo. Em cima do caminhão do corpo de bombeiros, acompanhado da mãe e do pai, Flávia e César Augusto, e do empresário, o ex-nadador Fernando "Xuxa" Scherer, Cielo foi aclamado nas ruas. O séquito pelas principais vias da cidade o alçou à condição de herói da região, posto antes ocupado pelo esforçado zagueiro André Cruz, cujo feito de maior relevância na carreira fora um gol de falta pela seleção brasileira em um amistoso contra a Itália, quase 20 anos atrás."Não tem uma pessoa aqui em Santa Bárbara que não conheça o Cesão", vibrou a empresária Ana Lúcia Cardona. Ela é dona da agência de viagem onde a família de Cielo comprou as passagens para o nadador mudar-se para Auburn, no Alabama. Foi lá que ele se preparou para os Jogos Olímpicos de Pequim. LONGO TRAJETODos funcionários das lojas de tecido aos enfermeiros dos postos médicos, passando pelos estudantes e até o pessoal do cemitério, milhares de pessoas seguiram o nadador, no trajeto de quase 50 quilômetros e mais de duas horas de duração. "Quando Cesão voltou do Pan, em 2007, a gente não foi à zona leste, porque ele tinha uma viagem no dia seguinte. Desta vez, fizemos o percurso completo", afirmou o pai do atleta, César Augusto.A reportagem do Estado contou, ainda, três carros de som de candidatos a vereador entre a multidão, com o volume no máximo, tentando tirar uma casquinha da popularidade do campeão. Em uma cerimônia de 30 minutos, antes da carreata, no Esporte Clube Barbarense, Cielo recebeu sete placas comemorativas, dois buquês de flores, uma camisa da União Barbarense - seu clube do coração -, e da torcida organizada, um livro, além de um título de sócio honorário do E. C. Barbarense.E AGORA?Cielo é solidário à situação de Thiago Pereira. Nadador mais badalado da delegação brasileira antes dos Jogos, o fluminense que defende o Minas Tênis voltou "apenas" com um quarto lugar na prova dos 200 m borboleta. "Thiago Pereira é o quarto melhor do planeta", defendeu. "Não é para qualquer um nadar entre os cinco mais rápidos do mundo. É que o brasileiro é cruel e não valoriza o quarto lugar." A dois centésimos do recorde mundial nos 50 m livre (cravou 21s30 na decisão da medalha de ouro, recorde olímpico), Cielo definiu como meta o tempo que não alcançou em Pequim. Ele não decidiu ainda onde fará a preparação para o ciclo olímpico que começa em 2009. "Ainda é cedo para pensar se volto para o Brasil. Queria voltar, mas temo deixar o Brett Hawke (seu técnico) nos EUA. Vou tentar casar as duas coisas", resumiu.Cielo sabe que o festival de recordes quebrados no Cubo d?Água, em Pequim, vai tornar a disputa por uma vaga nos Jogos de Londres mais complicada. "A combinação maiô, atletas e piscina bem feita fez a diferença. Vai ser complicado conseguir o índice para a próxima olimpíada. Para mim, a responsabilidade vai ser ainda maior."

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