O homem mais rápido do mundo, Usain Bolt mostra ser um ser sem limites

Jamaicano fecha os 100m com 9s63; Yohan Blake (9s75) garante a prata, e Justin Gatlin (9s79) leva o bronze

AMANDA ROMANELLI , ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2012 | 03h02

Usain Bolt fez do raio sua marca registrada - e o jamaicano mostrou, mais uma vez, que é realmente uma força da natureza. Nos 100 metros mais rápidos da história, o velocista entrou na prova com o terceiro tempo entre os oito finalistas, largou mal (como sempre) e, fazendo a veloz pista do Estádio Olímpico passar por suas poderosas passadas, tomou a liderança na metade da corrida para cruzar a linha de chegada de maneira gloriosa.

Bolt mostrou que, muitas vezes, compete com ele mesmo, e assim fez ao se tornar bicampeão olímpico em Londres. A marca de 9s63 é a segunda mais rápida da história, só atrás de seus 9s58, recorde conquistado no Mundial de Berlim, em 2009. Com a exceção de Asafa Powell, que sentiu uma lesão e chegou em último lugar com tempo acima de 11s, todos os outros seis velocistas correram abaixo dos 10 segundos, algo inédito na história do atletismo.

Bolt não derrotou apenas seus rivais - o jamaicano Yohan Blake foi prata com 9s75 e o americano Justin Gatlin, bronze, com 9s79. Também superou uma inédita desconfiança que começou em 2011. O jamaicano não conseguiu revalidar seu título mundial dos 100 metros, em Daegu, na Coreia do Sul, ao ser eliminado da final por queimar a largada. Conquistou, é verdade, o bicampeonato dos 200 m e do revezamento 4 x 100 metros. Mas, em 2012, surgiram as informações de que o campeão estava lesionado e ainda com problemas nas costas. E veio a dupla derrota para Blake, nos 100 m e 200 m, nas seletivas jamaicanas para Londres.

Brincalhão. Bolt chegou para a Olimpíada da maneira que se esperava: confiante, brincalhão, falando em ganhar ouros. Mas não demonstrou, nas fases anteriores à final, os tempos fenomenais que marcaram sua carreira. O jamaicano passou das eliminatórias com a marca de 10s09, uma apresentação ruim para quem acostumou o mundo a tempos sempre abaixo de 10 segundos. Na disputa da semifinal, já teve uma performance mais compatível com seu histórico, ao avançar com 9s87, desacelerando no final.

Antes de alinhar para a decisão, fez o Estádio Olímpico vir abaixo. Interagiu com as câmeras como ninguém durante a apresentação. Simulou estar nas pick-ups, como faz em suas várias apresentações como DJ. Juntou os dedos indicador e médio da mão direita para fazer passinhos cheios de estilo. Deu socos no ar, como um lutador. E foi para o bloco de partida, que reclamou ser menor que seus pés tamanho 44, para largar e esquecer a falsa saída de Daegu.

Melhor no fim. A partida fez o estádio sair do completo silêncio para um barulho ensurdecedor. Bolt saiu de maneira conservadora. "Acho que fiquei um pouco preso no bloco. Realmente, não foi a melhor largada do mundo. Mas essa foi a chave, fazer o que meu técnico (Glen Mills) mandou: não pensar na largada, já que o meu melhor sempre é o fim. Eu não pensei na saída e fiz o que tinha que fazer", disse o velocista após a prova, Ao vencer, pegou a bandeira jamaicana, beijou a pista e emulou o relâmpago.

Para virar uma lenda, seu grande objetivo aos 26 anos, o jamaicano afirma que precisa revalidar os três títulos olímpicos que conquistou nos Jogos de Pequim, há quatro anos. Amanhã, começa a brigar pelo ouro dos 200 metros, essa sim, sua prova favorita. Faltam só mais dois e estamos contando.

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