O homem que venceu os ''donos'' da F-1

Dietrich Mateschitz, Investidor

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

Em 2005, o austríaco Dietrich Mateschitz adquiriu da Ford a equipe Jaguar de Fórmula 1. Muita gente pensou que esse empresário austríaco faria da competição uma vitrine para vender seu energético, Red Bull. Cinco anos mais tarde, não só mostrou que seu projeto se estendia para bem além de apenas fazer parte da categoria como, há uma semana, em Interlagos, venceu instituições lendárias, como Ferrari e McLaren, ao conquistar o título de construtores. Hoje pode deixá-los mais para trás, pois Mark Weber e Sebastian Vettel, da Red Bull, têm chances de serem campeões entre os pilotos.

Mas, afinal, quem é esse visionário que há cerca de 25 anos vivia apenas de ser guia turístico no verão e professor de esqui no inverno e acumulou patrimônio que já o destaca dentre as grandes riquezas do mundo? O empreendedor que hoje no circuito de Abu Dabi pode surpreender o mundo esportivo adora a privacidade. Nas poucas vezes falou à imprensa no paddock, disse: "Red Bull não é uma bebida, mas uma filosofia."

Seu pensamento torna a política de não interferência na luta entre seus pilotos, e potencialmente capaz de levar a equipe a perder o título, bastante clara. Uma espécie de "imagem limpa do esporte". O fato é que quem está vencendo companhias automobilísticas ou organizações como Fiat, Ferrari, McLaren, Mercedes, Renault, de larga tradição no esporte a motor, é um fabricante de bebida energética. "Ele investiu valores importantes e da maneira correta", afirma chefe da FOM, Bernie Ecclestone.

Como funcionário da área de marketing da Unilever, Mateschitz foi à Tailândia, no início dos anos 80, para uma reunião com o distribuidor de pastas de dente da marca, Chaleo Yoovidhya. Conheceu, então, uma bebida produzida por ele, chamada Krating Daeng, que na tradução do tailandês quer dizer Toro Vermelho, ou Red Bull. Destinava-se a ajudar caminhoneiros a dirigir sem pegar no sono. Mateschitz propôs sociedade a Yoovidhya, metade cada um e ele produziria o energético na Áustria, ligeiramente modificado.

Em 1987 o produto chegou ao mercado. Hoje, são vendidas 4 bilhões de latas por ano em 160 países e sua empresa fatura 2,5 bilhões de euros por ano. Impressionantemente, a Red Bull investe cerca de 30% do faturamento em marketing esportivo.

Nos últimos anos, passou a explorar o universo do futebol, inclusive no Brasil - o time foi campeão da A3, este ano, e disputará a Série A2 do Campeonato Paulista em 2011. Se o exemplo da F-1 servir, Corinthians, Santos, Palmeiras e São Paulo que se cuidem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.