O jogo do poder

O presidente da Federação Gaúcha, Francisco Noveletto, passou a semana articulando com presidentes de federações estaduais, para impedir a posse de José Maria Marin, em caso de renúncia de Ricardo Teixeira. Sua tese é que a extensão do mandato até 2015 não se deu para todos os dirigentes. Foi uma concessão a Ricardo Teixeira, por causa da Copa do Mundo de 2014.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2012 | 03h02

"Por isso, se houver a renúncia, quem assumir deve convocar novas eleições imediatamente", afirma Noveletto. Os presidentes de federações se meteram no imbróglio da sucessão. Os dirigentes de clubes, não.

Se houvesse eleições, haveria chance de uma liderança dos clubes vencer, pergunto a Noveletto. "Não! De jeito nenhum! Quem vai comandar é alguém das federações", jura.

O cenário com Ricardo Teixeira no poder é trágico. Sem ele, é tétrico. "A sucessão teria as federações do Rio e de São Paulo na frente, mas você sabe que elas têm rejeição", continua o dirigente gaúcho. Rompidos desde a licitação dos direitos de TV, os clubes não se articulam. "Mas se acontecer a renúncia, teremos de convocar uma reunião de urgência no Clube dos 13", diz Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG.

A pergunta seguinte: "Reunião de urgência quando, na segunda-feira de Carnaval?" A resposta: "No Carnaval é impossível!" A situação exige mesmo urgência dos clubes, que se articulem para conquistar a CBF. Mas só quem vê urgência na saída de Ricardo Teixeira é a presidente Dilma Rousseff.

Ah, os presidentes de federação, velhos aliados, também começam a achar que a situação é de emergência, mas por outro motivo. O que os preocupa é que Teixeira se isolou e não conversa com os aliados, à exceção de Marco Polo Del Nero. "Ele não atende mais a telefonemas", diz Noveletto, enciumado. "Só dá espaço para a Federação Paulista."

Enquanto o dirigente gaúcho se articula, o presidente da Federação Paulista defende o estatuto, segundo o qual o vice mais idoso assume. Del Nero não indicou José Maria Marin para a vice-presidência por acaso.

Há 26 anos, na eleição mais suja da história da CBF, Nabi Abi Chedid era candidato à presidência contra Medrado Dias. Havia acusações de compra de votos e o equilíbrio era enorme.

O estatuto dizia que, em caso de empate, o candidato mais idoso seria eleito. Nabi era mais jovem do que Medrado, mas seu vice, Otávio Pinto Guimarães, era o mais velho dos três.

Eureka!

Nabi inverteu a chapa e se tornou vice de Otávio, que tinha câncer, e supostamente não suportaria a presidência até o fim. Otávio ganhou por um voto e viveu até o fim do mandato, em 1989 - Ricardo Teixeira sucedeu-o. No ano seguinte, Otávio Pinto Guimarães morreu de câncer. Não viveu para ver a repetição daquela história escabrosa.

Boa escolha. Das mudanças feitas no CT de Cotia, desde a contratação de Cilinho, em 2002, a chegada de Renê Simões é a melhor. Sua missão é treinar os técnicos, velha reivindicação de quem trabalha com garotos. Na quinta, contra o Paulista, o São Paulo tinha quatro jogadores formados em casa no time de cima. A missão de Renê é fazer esse número crescer, nas próximas temporadas.

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