O luto no futebol

Sem querer diminuir as vitórias de Santos e Atlético Mineiro neste fim de semana, é preciso levar em conta que jogaram contra times combalidos. O Fluminense, com todas as deficiências que pode ter (e tem), me pareceu um time apático. Derrotado por antecipação, mesmo quando vencia por 1 a 0. Já o Sport parece não ter assimilado a desclassificação da Libertadores diante do Palmeiras. Esses lutos não passam pelo pensamento racional. É claro que o Fluminense caiu na Copa do Brasil diante de um time superior, o Corinthians, equipe difícil de ser batida, que está jogando junta faz tempo e é muito bem montada por Mano Menezes. Aliás, o Corinthians é a ilustração da tese de que continuidade dá frutos. Desde que a ela se somem talentos que possam decidir e desequilibrar um jogo. Não adianta ter continuidade com onze cabeças de bagre em campo e um técnico xucro no banco. Já o Sport, que é um tanto inferior ao do ano passado, também dá sequência ao trabalho bem-sucedido de Nelsinho Batista. Time forte, que joga como pede a Libertadores, como andaram se queixando alguns cronistas. Pois bem, esse time jogou de igual para igual com o poderoso Palmeiras e perdeu no detalhe dos pênaltis. Nada que possa ser considerado excepcional, como não o seria se o Sport tivesse passado e o Palmeiras ficado pelo caminho. No entanto, esses times desclassificados de competições julgadas prioritárias mostram dificuldade na volta à normalidade. Há como uma ressaca, um mal-estar que inibe os jogadores, um "bode" que se estende por algum tempo e compromete a sua competitividade. Jogam aquém do que poderiam em condições normais de pressão e temperatura. Psicólogos de esporte deveriam prestar mais atenção a esse fenômeno porque influi demais na trajetória dos clubes ao longo da temporada. Como se sabe, o futebol é feito de técnica, tática e fatores motivacionais. Se um desses pilares vacila, a casa cai. Basta lembrar do que aconteceu com o próprio Fluminense no ano passado depois de perder a decisão da Libertadores para a LDU. Quase foi rebaixado no Brasileiro, mesmo tendo um time muito acima da média do futebol brasileiro. Não sendo especialista, gostaria de dar um pitaco nessa matéria. Em casos parecidos, em vez de evitar a lembrança da derrota, de relegá-la ao buraco negro do esquecimento, acho que os jogadores deveriam discuti-la a fundo, ver e rever o teipe do jogo fatídico várias vezes. Até que o trauma perca a sua funesta magia e se mostre como o que de fato é - apenas um jogo que se perdeu, porque perder é da vida, e causou uma dor que vai passar porque outros jogos virão. Se não for curtido a fundo, o luto pode durar mais tempo do que o necessário. E provocar novos estragos. QUARTA-FEIRA DE GALAMesmo respeitando o luto, sabemos que a vida tem prioridade. E, nesta, o que interessa mesmo é essa quarta-feira mágica: Vasco x Corinthians, no Maracanã, e Inter x Coritiba, no Beira-Rio, pelas semifinais da Copa do Brasil. Corinthians e Inter são favoritos, mas quem aposta cegamente em favoritos? O Vasco ganhou um ponto com a ausência de Ronaldo e perdeu outro ao abdicar do mando em São Januário. Mas o Corinthians é muito mais sólido, mesmo com o Gordo de fora. Já o Inter parece ser de fato a melhor equipe brasileira. Tanto assim que tem vencido no Brasileiro mesmo com time misto. Ainda assim, o Coxa pode engrossar. Basta lembrar que o Flamengo estava tirando o Inter até o finalzinho. E ainda temos Cruzeiro x São Paulo, pela Libertadores. Antes desses três jogaços, o aperitivo de luxo, esse dry martini do futebol europeu - Manchester United x Barcelona.

, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

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