Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

O melhor energético

A vitória sobre o São Paulo não pode ser desprezada. Vencer o rival é o melhor energético já inventado no futebol. O clássico mostrou o exato momento de cada equipe e o que deve ser feito pelos seus treinadores nas próximas semanas.

PAULO CALÇADE, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 03h05

O Corinthians foi beneficiado pelo entrosamento da equipe, formato estabelecido e consolidado por Tite, mas preocupante pela quantidade de oportunidades de gol desperdiçadas, minimizadas pelo resultado favorável.

Se a defesa é sinônimo de segurança, a falta de apetite do ataque é responsável por manter os adversários vivos até o final das partidas. Tem sido assim desde o ano passado. Tite também vinha reclamando do comportamento de seu grupo, tranquilo demais para uma Taça Libertadores que se aproxima e a temperatura dela no Parque São Jorge.

Pelo menos no clássico isso foi superado. O Corinthians mandou no jogo porque atuou com mais pegada que o São Paulo. Mas a derrota tricolor não deve ser atribuída exclusivamente a isso.

O time de Leão precisa de rodagem. Jadson chegou para ser maestro, mas ainda conhece muito pouco de sua orquestra. O pênalti desperdiçado, aos 44 minutos do primeiro tempo, teria mudado o discurso dos treinadores no vestiário.

Tite falaria das muitas chances desperdiçadas e seu colega do novo São Paulo que começa a surgir de sua prancheta. É o peso do resultado.

A primeira medida de Emerson Leão para o clássico foi criar um espelho tático no meio de campo, jogar no mesmo 4-2-3-1 que o adversário, com Wellington e Casemiro como volantes, e o trio Lucas, Cícero e Jadson para abastecer William José.

Não deu certo, nem sempre as novidades funcionam de imediato. Se o São Paulo ainda precisa explicar porque seu time apresenta dificuldades, o Corinthians deve se preocupar com a dificuldade de transformar em gols o jogo volumoso na área adversária.

Nosso futebol de cada dia anda precisando de uma Semana de Arte Moderna, de um rompimento em direção ao seu potencial criativo. A disciplina tática, absorvida nas últimas décadas como solução de todos os problemas do campo, tem congelado ideias.

Nota-se isso em todas as equipes. Valorizamos demais a organização, mas não sabemos como utilizá-la para libertar os jogadores de suas camisas de força. O jogo coletivo ainda parece utopia. Os times estão muito quadradinhos. Tem muito jogador agindo como espectador, preparado para intervir apenas quando o seu "setor" é convocado a participar.

Não se trata de uma questão relacionada ao início da temporada, quando os clubes parecem jogar em câmera lenta. É um problema de formação, ignorado nas divisões de base e ampliado entre os profissionais por equipes modificadas a cada 3 meses. Corinthians e São Paulo não escaparam disso, mas estão só no início de suas trajetórias. Que Leão e Tite saibam preparar times mais "leves". Garra é fundamental, mas não resolve tudo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.