O melhor vôlei do mundo joga na Europa

O técnico da Ulbra/São Paulo, Marcelo Fronckowiak, observa que não será difícil os jovens talentos de seu time, como os meios-de-rede Riad, de 22 anos, e Leandro, 20, e o ponta Renato Minuzzi, de 22, que têm treinado com a seleção brasileira para ganhar experiência, receberem ofertas em euros no fim da temporada. Não é só o futebol que exporta jogadores. Segundo os técnicos dos times que disputam a Superliga Masculina de Vôlei, já passam de cem os brasileiros no exterior - os clubes nacionais não podem competir com os salários em moeda estrangeira."O melhor vôlei do mundo não tem espelho para as categorias de base", afirma Fronckowiak, dizendo que hoje o público se identifica com a seleção pelo "eficiente trabalho do Bernardinho". Mas isso não tem servido, na Superliga, para levar o público, a TV aberta - "não necessariamente a Globo" -, a mídia e, conseqüentemente, os patrocinadores às quadras e aos clubes. "Seria preciso fazer algo pelos clubes", ressalta Marcelo, defendendo a criação do incentivo fiscal "prometido pelo presidente Lula, após o Pan".As estrelas da seleção são apenas uma amostra do que ocorre no esporte. Dos 12 jogadores que conquistaram o título da Copa do Mundo do Japão e a vaga olímpica, 7 estão fora - na Itália, Maurício, Giba, Nalbert, Gustavo, Rodrigão e Dante. Anderson joga no Japão. Ricardinho, Giovane e André Nascimento estão no Telemig Celular/Minas; Escadinha, no Banespa/Mastercard; e André Heller, na Unisul.Para José Montanaro, gerente de Esportes do Banespa, o lado positivo é ter brasileiros jogando com os melhores do mundo. O negativo é que afasta o público dos ginásios e que o vôlei tem perdido até juvenis: Felipe Fonteneles foi para o italiano Modena este ano e João Paulo para a Espanha há uma semana. "O mercado europeu cresceu na Turquia, Espanha, França, Alemanha e Sibéria." A Argentina, "que tem dois clubes patrocinados pela Globo de lá, vem aqui buscar atleta."O técnico Carlos Alberto Castanheira, o Cebola, com três jogadores da seleção no Minas, diz que um atleta mediado levaria quatro meses para ganhar no Brasil o salário de um mês na Europa. "É um problema econômico, mas é preocupante termos tantos atletas fora."Hoje, Escadinha estará em quadra na estréia do Banespa, às 19 horas, contra a Intelbrás/São José. O Bento/Union Pack (RS) enfrentará o Wizard/Suzano(SP), em Bento Gonçalves, às 20h30 (com SporTV). A Unisul, que tem um dos dois estrangeiros que atuam no País - o argentino Marcos Milinkovic - enfrentará o Shopping ABC/Santo André, às 20 horas, em Florianópolis. O segundo estrangeiro, o americano Gabriel Bryan Gardner, está no Suzano.

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