O menino da Vila menos badalado promete fechar o gol

Rafael lembra dos seis meses de tratamento de grave lesão e diz estar pronto para não ser superado hoje na decisão

, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

SANTOS

Brilhar na frente não é o bastante esta noite para o Santos. O grupo todo sabe da importância em não levar gols em casa, que tem peso dobrado na competição. Eis, então, que surge um outro menino da Vila com tal missão: o goleiro Rafael. Ainda não badalado como os demais companheiros, o jovem de 20 anos promete "fechar o gol" esta noite. "Vamos vencer, e bem. E estou preparado para não tomar gols. Não sofrendo atrás, dou garantia ao time para marcar lá na frente."

Estar na decisão, ou mesmo jogando, não passava pela cabeça deste garoto há um ano. Fábio Costa, queridinho do ex-presidente Marcelo Teixeira, era dono absoluto da camisa 1. Tinha tanto prestígio que seu contrato havia sido renovado até 2013, para ele ser o goleiro no ano do centenário santista (em 2012). Para piorar, uma fratura na perna em choque com o zagueiro Domingos ameaçou a carreira. "Foi muito complicado. Passava muita coisa na cabeça", se recorda da lenta recuperação de mais de seis meses. No grupo profissional e com um jogo realizado, Rafael almejava se efetivar na condição de reserva para logo ganhar a chance. Durante o tratamento, viu 2009 chegar ao fim.

A mudança radical na vida deste jovem de Sorocaba começou há oito jogos. Felipe foi mal na derrota por 4 a 2 para o Corinthians e perdeu a vaga. Rafael entrou e se firmou. "Você nunca pode desistir do sonho. Há um ano eu nem imaginava estar jogando, mas sempre trabalhei forte, pois quando a vaga cai no seu colo, você precisa estar preparado. E eu estava", diz, seguro nas palavras.

Hoje, ele terá um motivo a mais para brilhar. Nas arquibancadas estarão o pai, Sergio, e o irmão Daniel, seus grandes inspiradores após a morte da mãe. "Aumenta a responsabilidade. Mas não vou deixar a chance de ouro da minha vida escapar. Faremos um grande jogo." Num grupo com jogadores que têm sonhos grandes, como jogar na Europa ou numa Copa, ele é modesto. "Quero apenas entrar para a história do Santos. E ganhando um dos títulos que falta ao clube, meu nome estará escrito."

No vestiário, com armários personalizados com a foto e nome de cada jogador, já é possível ver sua imagem. O nome ainda não. Mas de caneta, nota-se que Rafael já deixou de ser promessa. "Parabéns, apesar da sua idade, provou que chegou para ficar. Espero que cresça no futebol", é o recado. Uma inspiração e tanto. / F.H. e S.F.

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