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Reginaldo Leme
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O mistério do 21

A melhor forma de começar essa coluna na véspera de um GP marcado pela expectativa de revanchismo, ou conformismo, de Webber contra Vettel, diante da crise gerada na Red Bull pelo atrevimento de Vettel na corrida passada, é a frase que ouvi esta semana numa conversa com Nelsinho Piquet: "Talvez o meu pai fizesse a mesma coisa". Nem precisei pensar muito no assunto para concluir que se fosse na época de Nigel Mansell na Williams, Piquet teria feito mesmo. Só que ali tratava-se de uma guerra declarada, em que ele era a parte mais fraca por concorrer com um piloto inglês dentro da mais inglesa de todas as equipes com as quais convivi, e numa época em que a Inglaterra já completava uma década sem conseguir fazer um campeão.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h03

Sobre a Malásia, passado o primeiro impacto em que a maioria - eu inclusive - criticou a "deslealdade" de Vettel nas circunstâncias daquele episódio, é interessante observar a reação de torcedores defendendo, através das redes sociais, a ideia de que um campeão tem de agir assim mesmo. Quando isso vem do torcedor brasileiro, pode se entender como um desabafo pelos sofridos momentos em que teve de engolir as ordens ferraristas contra Barrichello na época de Schumacher, e as recentes atitudes da mesma Ferrari no caso de Massa e Alonso.

Mas nesse caso da Malásia, eu continuo com a minha leitura de falta de lealdade. Principalmente porque a desobediência de Vettel é consequência de uma prepotência que vem da certeza de impunidade. Ninguém tem dúvida de que se a situação fosse a inversa, a condenação de Webber poderia eventualmente levar até a uma demissão. Estava na cara que o episódio continuaria rendendo assunto na corrida seguinte. Tão claro como a Ferrari se aproveitar da situação para tripudiar em cima da rival que foi a que mais a criticou em episódios passados. Nesse momento, as diferenças pontuais de cada episódio são ignoradas, e tudo é colocado igualmente no mesmo saco, o das trapaças. No final das contas foi interessante ver que a misteriosa codificação usada nas mensagens da RBR era bem mais simples do que se imaginava. A tal "Multi 21" falada no rádio e reclamada através de gestos de Webber para Vettel na ante-sala do pódio nada mais era do que o número 2 (do carro do australiano) na frente do número 1 (do carro do alemão). Simples assim!

Então vamos ver o que acontece amanhã. Não acredito em retribuição do Vettel. Primeiro, porque o sentimento de culpa dele não vai além do pedido de desculpas que já fez publicamente. Depois, porque seria um segundo erro para tentar corrigir o anterior. Além disso, sabe-se lá se o domínio da Red Bull será mantido na pista chinesa. Vale lembrar que exatamente um ano atrás a Mercedes se deu tão bem nessa pista que largou com os dois carros na primeira fila do grid, ganhou a corrida com Rosberg e só não fez dobradinha porque a equipe deixou uma roda solta no carro de Schumacher, e essa roda caiu logo depois de um pit stop. Sem contar que hoje a Mercedes parece ter um carro bem melhor que o do ano passado, além de um piloto como Hamilton. E que também Ferrari e Lotus são rivais que começaram o ano mais fortes.

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