David Ramos/AP
David Ramos/AP

O mito Lionel Messi está prestes a se tornar ainda maior

Só uma surpresa monumental impedirá o argentino de receber amanhã o prêmio de melhor jogador do mundo pela quarta vez, algo inédito

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE/GENEBRA, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2013 | 02h02

Quando a Fifa se reunir amanhã para sua badalada festa de entrega dos prêmios aos melhores do ano, todos os olhos estarão voltados para Lionel Messi. Se nenhuma surpresa ocorrer, o argentino será eleito pela quarta vez consecutiva como o melhor do mundo, batendo todos os recordes e superando Ronaldo, Zidane, Michel Platini, Marco Van Basten e Cruyff.

Em 2012 Messi não ganhou títulos tão importantes quanto seus concorrentes à Bola de Ouro - Iniesta foi campeão da Eurocopa e melhor jogador do torneio, e Cristiano Ronaldo ganhou o Campeonato Espanhol -, mas nem por isso deixou de assombrar o mundo com suas atuações. Ele marcou 91 gols em 2012 e derrubou o recorde do alemão Gerd Müller, que em 1972 marcou 85 vezes.

Em termos de exposição, a marca Messi também vive um momento de explosão - apesar de seu caráter reservado que até pouco tempo era considerado pouco atraente pelas empresas. O craque tem 34 milhões de seguidores em seu Facebook.

Seus contratos de publicidade incluem multinacionais como Procter & Gamble, Adidas, Pepsi, EA Sports, Audemars Piguet e Dolce & Gabbana, além de uma fila de empresários que aguardam para ser atendidos.

A venda de sua imagem vai muito além da Europa. No final de 2012 a Turkish Airways fechou contrato com Messi e lançou um comercial em que ele aparecia contracenando com o astro da NBA Kobe Bryant. Pois bem: esse vídeo foi visto por 52 milhões de pessoas no YouTube.

Na China, a fabricantes de veículo Cherry adotou o argentino como o embaixador de sua marca no planeta na esperança de começar a vender carros chineses pelo mundo. No Japão, Messi chega a falar em japonês em uma recente publicidade para um creme de rosto.

No campo esportivo, Messi segue caminho oposto ao de sua geração e provavelmente chegará ao fim de sua carreira tendo vestido a camisa de apenas um clube. Chegou ao Barcelona aos 13 anos, em 2000, e em dezembro assinou a prorrogação de seu contrato até 30 de junho de 2018 - quando terá 31 anos. Em suas entrevistas ele vive dizendo que não deseja jogar em outro time que não seja o Barça.

Quando o clube espanhol o buscou em Rosário (Argentina) junto com sua família, seus pais não tinham recursos para gastar 900 (R$ 2,4 mil) por mês num tratamento de hormônios que o faria crescer - sem isso, Messi não teria chegado a 1,50m em idade adulta. O Barça fez a aposta e se deu muito bem.

Hoje quem quiser tirá-lo de lá não apenas terá de convencer o craque a mudar de ares, mas também precisará gastar muito dinheiro. Sua multa rescisória está estipulada em 250 milhões (R$ 665 milhões), a mais elevada do futebol mundial.

A diretoria do Barcelona sabe que contar com Messi não tem preço, por isso já lhe deu seis aumentos desde que ele chegou ao time principal, em 2004. Hoje ele recebe 15 milhões (R$ 40 milhões) por ano, com a possibilidade de chegar a 17 milhões (R$ 45,2 milhões) se o Barça ganhar o Campeonato Espanhol e a Copa dos Campeões. Por causa dos impostos, o clube gasta quase 35 milhões (R$ 93,1 milhões) por ano para manter sua principal estrela.

Com ele no time, foram conquistados 19 títulos. E a última vez que Messi ficou fora de uma partida por lesão foi em março de 2008, o que mostra que seu custo-benefício é compensador. Messi quer jogar - e joga - sempre, sem fazer distinção entre um clássico e uma partida contra uma equipe da Segunda Divisão na Copa do Rei.

Para o ex-craque dinamarquês Michael Laudrup, que jogou no Barcelona e no Real Madrid e hoje é treinador do Swansea (Inglaterra), Messi é Messi porque o estilo de jogo do Barcelona o ajuda a brilhar. "Como o time tem a posse de bola por pelo menos 60% da partida, Messi, pode descansar e quando é acionado está em seu nível máximo, sempre."

Gerd Muller declarou, no final de 2012, que se sentiu orgulhoso por ter sido superado por Messi. "Meu recorde vigorou por 40 anos, mas agora o melhor do mundo o quebrou."

Mascherano, uma das pessoas mais próximas de Messi no Barça, afirma que o argentino hoje "só compete com ele mesmo".

Não por acaso, as casas de apostas em Londres dão Messi como grande favorito para o seu quarto título de melhor do mundo. Na casa William Hill, quem apostar 1 em Messi levará para casa apenas 1,08 em prêmio. Já quem apostar por Cristiano Ronaldo sairia com 8. A casa paga ainda 13 para quem apostar um 1 em Iniesta. Em enquetes feitas em jornais de vários países europeus o argentino é o favorito disparado.

Se vencer, Messi ultrapassará Ronaldo e o francês Zidane - donos de três prêmios da Fifa - , e também os holandês Cruyff e Van Basten e o francês Michel Platini (que ganharam a Bola de Ouro três vezes quando o troféu era entregue pela revista France Football ao melhor jogador da Europa; a partir de 2010 o prêmio foi unificado com o da Fifa).

"É óbvio que Messi vai nos superar", disse Platini ao Estado há três semanas.

O favoritismo do craque argentino é tanto que, em sua edição desta semana, a France Football apenas colocou uma questão: alguém será capaz de parar Messi?

Do jeito que o argentino está jogando, e com a idade que tem (completará 26 anos dia 24 de junho), a chance de seu reinado se estender por um bom tempo é grande.

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