''O Nadal é quem mais me dá prazer de ver jogar''

ANDRE AGASSI, Ex-número 1 do mundo elogia determinação do espanhol e se diz ansioso para a disputa com o amigo Guga, em dezembro, no Rio

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Andre Agassi quer deixar as polêmicas, que eclodiram após o lançamento de sua autobiografia Open, ano passado, de lado. Portanto, perguntas sobre seu envolvimento com drogas durante a carreira ou mesmo sobre a rivalidade com o compatriota Pete Sampras ficam sem resposta. Pai de família - tem dois filhos com a ex-tenista Steffi Graff -, o americano agora guarda distância de substâncias ilícitas e até já se reconciliou publicamente com seu antigo desafeto, com quem faz uma exibição em Buenos Aires em abril. Os assuntos preferidos do ex-número 1 do mundo no momento são o trabalho de sua fundação, nos Estados Unidos, e esses encontros com outros tenistas. No dia 11, estará no Maracanãzinho com Gustavo Kuerten para reeditar a final da Masters Cup de 2000, vencida pelo catarinense. Sobre o brasileiro e tênis atual, falou ao Estado.

Como você recebeu a ideia de reeditar uma final que você perdeu para o Guga?

Guga e eu tivemos grandes jogos durante os anos de circuito e a ideia de enfrentá-lo novamente no seu próprio país, diante de seu público, é muito boa para não aceitar. Será muito divertido jogar com ele novamente. Nós fizemos alguns longos, difíceis jogos e eu penso que é no calor das batalhas que o caráter das pessoas é formado e revelado. O Guga sempre mereceu o meu respeito mais profundo pela maneira como ele é dentro e fora das quadras. A chance de fazer novas memórias com o Gustavo no seu próprio país é algo que estou esperando ansiosamente.

Quais são suas lembranças daquele jogo? Parece que o Guga tornou-se imbatível depois de passar pelo Sampras.

Ele jogava como se tivesse tudo sob controle. Eu o venci na primeira rodada da fase de grupos, mas ele estava pronto para me vencer na final. Ele veio em chamas, sabendo que se me vencesse se tornaria o número 1 do mundo. Eu briguei um pouco, mas ele levou em sets diretos.

Como é a sua relação com o Guga atualmente?

Eu me divirto com ele e definitivamente o considero um grande amigo. Enfrentei muitos adversários em 21 anos de tênis profissional e o estilo de jogo do Guga se encaixava com o meu. Nós sempre trouxemos o melhor jogo do adversário à tona e espero que os fãs tenham saído vitoriosos de nossos encontros.

Você jogou no Brasil quando profissional, mas acredito que esta seja a primeira vez que volta desde que se retirou. Como está sua expectativa para voltar?

O Brasil sempre terá um lugar especial em meu coração. Uma coisa que qualquer atleta profissional diz é que sempre vai lembrar com carinho de sua primeira vitória. E eu venci meu primeiro torneio como profissional no Brasil (em Itaparica, Bahia), em novembro de 1987, quando tinha apenas 17 anos. Ainda sinto muito prazer nesta memória. Os brasileiros amam seus esportes tanto quanto qualquer outro do mundo e a energia que levam para uma partida é eletrizante. Estou ansioso para estar aí de novo e me reconectar com meus novos e antigos fãs.

Você acompanha o circuito atualmente? Quem é seu tenista preferido?

Sim, estou muito conectado com o esporte hoje em dia. É uma grande era para o tênis, não só por causa da enorme capacidade atlética dos jogadores, mas porque temos dois dos maiores tenistas da história competindo na mesma geração. A rivalidade entre Federer e Nadal emociona os fãs do mundo todo e é ótima para o jogo. Estamos cheios de grandes jogadores, mas o que mais me dá prazer de ver jogar é Nadal: sua determinação e foco são imbatíveis.

Como está o trabalho de sua fundação?

A Fundação Agassi para a Educação está no seu 16.º ano e está funcionando melhor do que nunca. Nossa meta é causar uma reforma educacional nos Estados Unidos, especialmente para crianças vivendo dentro ou próximas do nível de pobreza. Temos nossa própria escola, em Las Vegas (cidade natal do tenista), que serve crianças em situação de risco e também é um modelo dos nossos esforços para fazer escolas mais eficientes. Já criamos um impacto em milhares de pessoas e estamos trabalhando para melhorar a educação de milhões nos próximos anos. Nosso trabalho ganhou atenção em muitos países em desenvolvimento e muitas das lições que aprendemos podem ser utilizadas em outras culturas e sistemas educacionais.

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