O negócio é superar barreiras

A difícil corrida do atletismo que junta velocidade e saltos - os 110 metros com barreiras - é uma das provas em que o Brasil mais se destaca no ranking mundial da modalidade. Atualmente, o País tem quatro barreiristas entre os 50 primeiros da classificação: Matheus Inocêncio (11.º), Redelen dos Santos (12.º), Márcio Simão de Souza (24.º) e Anselmo Gomes da Silva (41.º). E eles também aparecem entre os oito finalistas de provas importantes. Márcio ficou em quinto no Mundial de Paris, em 2003, ano em que Anselmo foi campeão mundial universitário. Matheus, sétimo nos Jogos de Atenas, tem o melhor tempo da temporada (13s37). Já Redelen bateu o recorde sul-americano, com 13s29, em junho de 2004, em Lisboa.O pega que marcou a prova dos 110 m com barreiras no ano passado para definir os três brasileiros na Olimpíada continua este ano, agora pelas três vagas para o Mundial de Helsinque (FIN), em agosto. Matheus e Redelen já fizeram o índice A (13s55) duas vezes - em 2004 e este ano -, em vantagem sobre Márcio e Anselmo, que têm o índice A do ano passado e precisam fazer ao menos o B (13s55) na temporada.O Troféu Brasil, de 16 a 19 de junho, em São Paulo, será decisivo para a definição da equipe para o Mundial - o melhor do ranking nacional e os dois primeiros do torneio em cada prova, desde que tenham os índices exigidos."Não posso deixar o Anselmo me passar ou então tenho de fazer tempo melhor que o Redelen e o Matheus. O fato é que só três irão ao Mundial", disse Márcio, de 30 anos, da Unoeste - foi ele quem, em 1999, com 13s38, abriu as portas para o crescimento da prova no País. O maior objetivo de Márcio é conseguir baixar seu tempo. "Até 2000, só eu corria a prova abaixo dos 13s50. Hoje, quatro podem fazer isso, o que é bom para o nosso atletismo, aqui e no exterior. Nos últimos quatro anos, sempre tem mais de um brasileiro entre os mais bem colocados do ranking. E juvenis aparecendo, como Éder Antônio Souza."Redelen, de 28 anos, da BM&F Atletismo, acha que precisa ser ainda mais rápido, não importa que já tenha os dois índices A exigidos, com os 13s29 do ano passado e os 13s47 que fez há duas semanas, em São Paulo. "A preocupação de ser rápido continua", disse o atleta, que experimentou a frustração de ser afastado da final olímpica, em Atenas, por uma lesão na perna direita. "Foi um acidente, faz parte do passado."Redelen quer terminar a temporada entre os dez primeiros do ranking. Na Grécia, chorou muito na área de aquecimento do Estádio Olímpico de Atenas por não poder largar na série classificatória - Matheus foi à final, vencida, com incrível velocidade, pelo chinês Xiang Liu em 12s91, recorde mundial.O técnico Nélio Moura, que treina Redelen e Márcio, disse que o Brasil está muito bem servido de modelos na prova de barreira. "O Márcio abriu as portas para os barreiristas, competindo em meetings grandes no exterior. Seus resultados, consistentes, foram facilitando a entrada dos nossos atletas nos meetings do circuito internacional. Os organizadores deixaram de estranhar a presença de brasileiros nos 110 m com barreiras. Em 2003, Redelen, que demorou a aparecer, deu uma virada na carreira. O Matheus e o Anselmo surgiram em 2002. Hoje, temos quatro atletas em excelente nível e ainda os juvenis que vêm vindo."Segundo Nélio, os brasileiros já sabem que os tempos estão muito mais baixos que nos anos 90 e existem juvenis trabalhando para chegar ao mesmo nível, como Rodrigo da Silva Pereira e Éder Antônio Souza, respectivamente, quinto e sexto colocados no Mundial Juvenil de Grossetto, na Itália, em 2004.

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