O novo Neymar

O esporte vive de histórias, personagens e ídolos, responsáveis por mexer com o público, garantir o sucesso dos campeonatos, atrair patrocinadores e dar audiência à TV. Nos últimos dias, os dirigentes vêm festejando o surgimento do novo Neymar no mundo da bola. Não a de futebol, e tampouco aqui no Brasil. Os norte-americanos exaltam sua mais nova celebridade - de olhos puxados e origem em Taiwan. Jeremy Lin, nascido nos EUA há 23 anos, transformou-se em duas semanas num fenômeno de marketing e no principal nome do mais popular time da NBA, o New York Knicks.

EDUARDO MALUF, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2012 | 03h04

Lin, cuja trajetória foi contada ontem pelo Estado, tem vários pontos em comum com o craque santista: é habilidoso (embora com as mãos), jovem, atrevido, tem multidão de fãs e começa a atrair precocemente os olhares de grandes empresas interessadas em investir em sua imagem. Mas carrega uma grande diferença com o atacante do Brasil: não foi preparado para ser astro e até pouco tempo atrás não era conhecido nem por gente do meio. Num instante apareceu como um meteoro e já é chamado por especialistas de fora de série.

Se esse jovem filho de asiáticos será um gênio da estirpe de Michael Jordan, Magic Johnson ou Kareem Abdul-Jabbar, ninguém sabe. Um fato, porém, está confirmado: o início de carreira profissional arranca suspiros e provoca enorme repercussão no maior mercado esportivo do planeta.

Lin tinha tudo para ser mais um atleta fracassado. A começar pelo ínfimo número de asiáticos com sucesso na NBA. Sua universidade, a de Harvard, sempre foi fortíssima no lado acadêmico e medíocre no aspecto esportivo. E seu jogo nunca havia despertado interesse.

No início do ano, caiu em Nova York como sexta ou sétima opção do veterano e contestado técnico Mike D'Antoni. Os Knicks, que amargam longas temporadas de decepção, vinham mantendo a rotina de mais derrotas do que vitórias. Estavam nas últimas posições de seu grupo.

Lin nunca entrava em quadra. Até que várias estrelas se machucaram. Sem alternativas, D'Antoni teve de colocá-lo para jogar. Até agora, o "chinesinho" vem salvando o emprego do treinador. O time da megalópole ganhou os 7 jogos desde sua entrada, ingressou na zona de classificação e passou de ignorado a respeitado pelos rivais.

Lin anotou 20 ou mais pontos em seis jogos e, mesmo novato, tem liderado colegas veteranos. A apoteose foi há uma semana, quando fez 38 pontos e saiu de quadra ovacionado na vitória sobre os Lakers. Hoje é o principal destaque na página da NBA na internet e no site dos Knicks. Os torcedores já usam máscaras com seu rosto, e a camisa 17 passou a ser das mais cobiçadas nos EUA.

Lin certamente não é a solução para a crise econômica americana, mas sem dúvida vai ajudar a NBA a resgatar tempos mais felizes e garantir alegria aos fãs do basquete com seu talento e carisma. Mesmo para quem não gosta do esporte, esse "chinesinho" é uma grande atração.

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