O novo Rei

Piloto da Red Bull lidera prova de ponta a ponta e torna-se o mais jovem vencedor do Mundial

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

A dez voltas da bandeirada, Sebastian Vettel, da Red Bull, liderava o GP de Abu Dabi, com Fernando Alonso, da Ferrari, em sétimo. Seu engenheiro, Guillaume Rocquelin, o avisou pelo rádio para manter o ritmo. Até então, Vettel não sabia se a iminente vitória lhe garantiria o título por não ser informado da colocação dos adversários. "Eu perguntei a ele a razão de me parecer tão nervoso", contou Vettel, cheio de dúvidas. Depois de receber a bandeirada, Guillaume lhe falou: "Acho que vai dar certo."

Alonso precisava do 4.º lugar para ser campeão. Mas ficou preso no tráfego boa parte da prova. De repente, "you are the champion", gritou o técnico. Vettel desabou em choro, ouvido por milhões no mundo todo.

Ontem foi a primeira vez que o piloto da Red Bull liderou o Mundial desde a sua estreia na F-1, no GP dos EUA de 2007, pela BMW, aos 19 anos. Primeira vez e de forma definitiva. Vettel escreveu seu nome na história como o mais jovem campeão do mundo: 23 anos e 134 dias, diante de 23 anos e 301 dias de Lewis Hamilton, da McLaren, em 2008.

A equipe manteve Vettel isolado do andamento da prova para que se concentrasse apenas no seu trabalho, vencer a última etapa e não pensar em mais nada. "Eu não sabia se a vitória seria suficiente, vi no telão do circuito que Alonso ficara boa parte atrás de uma Renault (Vitaly Petrov), mas não sabia sua colocação. É uma sensação incrível. A corrida começou de dia, estamos de noite, e vai terminar de dia para mim", contou, para dizer que celebraria até o raiar do dia.

Como o previsto, Vettel não teve adversários no GP de Abu Dabi, como em 2009, quando também venceu. Hamilton, da McLaren, 2.º colocado, não chegou a ameaçá-lo, bem como seu parceiro, Jenson Button, 3.º. Os três últimos campeões do mundo ocuparam o pódio.

A grande decepção ficou por conta da estratégia equivocada da Ferrari, assumida pela equipe, que chamou Alonso para o pit stop muito cedo. Outra surpresa foi o desempenho irreconhecível de Mark Webber, vice-líder até então, e somente 8.º ontem. Seu nervosismo ficou evidente no fim de semana.

Lição. "Aprendi que sempre é possível, mesmo quando a situação é bastante difícil", falou Vettel. O GP da Bélgica representou um momento especial para o alemão. Errou ao tentar ultrapassar Button e os dois acabaram fora da prova. Muita gente dizia que, com o carro da Red Bull, o mais difícil seria perder e não ganhar o Mundial. "Foi um ano desgastante, em especial mentalmente. Precisei ignorar muitas vezes o que diziam de mim." Vettel comentou não ter perdido em nenhum instante a confiança em si. "Hoje é um dia especial, parece que tudo está acontecendo. Sou líder pela primeira vez na F-1, quando realmente importa."

Vettel contou ontem com uma série de acontecimentos favoráveis. A entrada do safety car, no começo, depois do acidente entre Vitantonio Liuzzi, Force India, e Michael Schumacher, Mercedes, permitiu a Nico Rosberg e a Petrov fazerem sua parada. Numa pista de difícil ultrapassagem, Alonso ficou preso atrás dos dois.

Vettel estabeleceu dez pole positions este ano, em 19 etapas, e ganhou cinco delas. Há um consenso: não foi o mais regular, mas, certamente, o mais veloz. E se o que mais a F-1 visa a selecionar é a velocidade dos pilotos, demonstrada em corridas sem ordens de equipes, como exemplarmente fez a Red Bull, o título está nas melhores mãos.

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