Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

O pacato palco da vela

Atletas do iatismo não irão à abertura dos Jogos, porém se concentram no aprazível e bem equipado litoral de Weymouth

Adriana Carranca - Enviada especial , O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h06

LONDRES - Se o Rio de Janeiro ainda deve definir o local para as competições de vela na Olimpíada de 2016, entre as belezas da Marina da Glória e a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Grã-Bretanha não teve dúvidas sobre o cenário de Weymouth and Portlant, em Dorset. A costa sudoeste é considerada uma das mais belas da Inglaterra e com mais vento.

O balneário de Weymouth e a Ilha de Portland formam a baía que abriga a Academia Nacional de Vela e foi classificada pela Royal Yatching Association, agência do governo britânico, como a melhor de todo o Norte da Europa para o esporte. A enseada tem 8,6 quilômetros quadrados e é ideal para vela porque está exposta a ventos, mas abrigada de grandes ondas e correntezas muito fortes pela praia de Chesil.

A baía terá cinco raias para as provas. Os atletas brasileiros tiveram de se adaptar a coisas como o clima, mais frio, e à maré. "A região tem muitas peculiaridades. Por exemplo, a correnteza muda a cada seis horas e isso influencia muito a tática durante a competição. O vento é semelhante ao de Búzios ou Ilhabela, mas a água é muito mais fria. Aqui, mesmo no verão, a gente treina agasalhado", diz Robert Scheidt, embora esteja acostumado a competir da Europa.

A equipe brasileira de vela esteve em Weymouth and Portland pelo menos seis vezes, para treinos e competições, antes de desembarcar para os Jogos Olímpicos, em um processo de adaptação. Nas poucas horas de folga desde que chegaram, antes do treino da manhã ou um pouco antes do jantar, as duas únicas vezes em que se encontram nestes dias de pré-Olimpíada, Scheidt e a mulher, Gintare Scheidt, também velejadora, que compete pela Lituânia, passeiam pelas ruas estreitas da cidade velha, longe do burburinho do Parque Olímpico em Londres. É bom e é ruim.

Sem farra. Os velejadores não participarão da festa de abertura dos jogos, por estarem mais de três horas distantes de Londres. Scheidt diz que sentirá falta do ambiente e da motivação que o evento traz. Jorginho Zarif, de 19 anos, o atleta mais jovem da vela brasileira, gostaria de estar na cerimônia e poder compartilhar o momento com atletas do mundo inteiro que ele admira. "Ver todo aquele pessoal que já 'medalhou', é aí que você percebe a dimensão de uma Olimpíada", diz, ao lado da namorada, a velejadora Patricia Freitas, que também representará o Brasil na Olimpíada. Ambos dizem que entendem a decisão do Comitê Olímpico e, enquanto os jogos não chegam, aproveitam a calmaria de Weymouth.

Histórico. O lugar é conhecido como o primeiro balneário da Inglaterra desde que a monarquia começou a passar o verão em suas praias, em 1789. Mas existe como vilarejo pesqueiro desde o século 12. Durante a Segunda Guerra, o Porto da Ilha de Portland foi um dos principais locais de partida das tropas britânicas e, por isso, duramente atingido pelos bombardeios alemães. O casario georgiano resistiu surpreendentemente ao período e hoje enfeita a orla, com bares e restaurantes de frente para o mar.

Weymouth and Portland se uniram em um único distrito em 1974 e hoje vivem do turismo. Quando a chuva dá uma trégua, como ontem, último domingo antes do início das competições, o calçadão fica lotado. A Academia Nacional de Vela foi inaugurada no ano 2000 e custou 8,7 milhões de libras. Como tinha estrutura já montada e ainda nova, foi escolhida em 2005 para sediar a Olimpíada.

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