O poder de transformar o fim da carreira em novas vitórias

Helinho, Maurren, Foreman, Ronaldo, Nenê. Não faltam histórias de superação no esporte

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

Transformar a dor em vitória ao constatar que o mundo dá a sua carreira como encerrada é privilégio de poucos atletas. Anteontem, ao vencer as 500 Milhas de Indianápolis, Hélio Castroneves passou a integrar uma seleta lista de esportistas que superaram a descrença e podem cantar os versos de Paulo Vanzolini: "Dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava...".Em dezembro do ano passado, Helinho foi acusado de conspiração e fraude contra o Imposto de Renda dos Estados Unidos e viveu a ameaça de passar 35 anos na cadeia. Em abril, depois de um processo desgastante que o impediu de participar de várias das etapas da Fórmula Indy e de um julgamento de 47 dias, foi absolvido. Anteontem, pouco mais de um mês depois do veredicto de inocente, venceu uma das provas mais tradicionais do automobilismo mundial.Rubens Barrichello é outro nome da lista. Foi dado por muitos como aposentado quando a Honda anunciou sua saída da Fórmula 1, no fim do ano passado. Atualmente, o piloto está na equipe favorita ao título do Mundial, a Brawn GP.George Foreman foi alvo de chacota quando voltou a lutar em 1987, dez anos após encerrar uma carreira vitóriosa. Hoje, figura no livro dos recordes como o boxeador mais velho a conquistar um título entre os pesos pesados, aos 45 anos, em 1994 . Entre os especialistas em contrariar prognósticos negativos é difícil superar Ronaldo. Poucos devem ter lido e ouvido tantas vezes a previsão de que a carreira estava no fim como o Fenômeno. Três cirurgias ainda não foram suficientes para afastar o atacante do futebol. Maurren Maggi perdeu uma Olimpíada por contusão e outra por doping. Nos Jogos de Pequim, poucos acreditavam que a primeira medalha de ouro individual feminina do Brasil viria de sua participação no salto em distância. Subiu no lugar mais alto do pódio. O jogador brasileiro de basquete Nenê Hilário e o ciclista americano Lance Armstrong tiveram suas carreiras ameaçadas pelo câncer. Vencer a doença, no entanto, tornou ambos vencedores. Da experiência, o ciclista diz que aprendeu a seguinte lição: "A dor é temporária. Pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas eventualmente vai desaparecer e outra coisa vai tomar seu lugar. Se eu desistir, no entanto, durará para sempre."O ESTILO CASTRONEVES"Nós conseguimos três vitórias, agora acho que queremos quatro. Não quero pensar, sonhar com isso agora, mas digo que vamos trabalhar para chegar lá"''Minha mãe sempre me disse para ser eu mesmo com todos. Se estou feliz, estou feliz, se estou bravo, estou bravo. E continuo a ser assim porque a tenho para me dizer isso sempre""Eu tinha dito que este seria o último capítulo de tudo o que tinha acontecido, mas acho que é só o começo de outro. E o livro será bem grande""Na pista eu coloco o capacete e fecho meu visor. Só isso. Ali é meu território, é o que sei fazer. Na pista eu faço tudo para alcançar o limite com meu carro, junto comigo. Na corrida a combinação foi perfeita"

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