O primeiro dérbi do goleador peruano

O herói da conquista do Mundial prevê jogo duro. E diz que sua vontade é ficar muito tempo no clube

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h07

"Eu sempre soube que seria jogador profissional, não poderia ter sido outra coisa." O que Paolo Guerrero não imaginava é que aos 29 anos entraria para a história do Corinthians.

Os dois gols marcados no Mundial de Clubes o alçaram à condição de ídolo, sobrepondo-se a Emerson Sheik, o herói da final da Libertadores, e até a Alexandre Pato, ainda um figurante.

Mesmo assim sua missão está só começando. Guerrero, que defendeu o Corinthians em apenas 20 partidas, faz hoje seu primeiro clássico contra o Palmeiras e se prepara para disputar sua primeira Libertadores.

"Quero ficar muitos anos aqui, estou gostando muito de jogar no Corinthians", disse ao Estado. A seguir, principais trechos da entrevista.

O que espera do jogo?

Penso que será um clássico muito emocionante, depois de saber como é a rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, e isso eu aprendi rápido, logo depois que cheguei aqui. Será um jogo muito difícil, clássico não tem favorito, acho que os dois times vão dar tudo para ganhar.

Você disse que viu pela tevê o Palmeiras vencer o Sporting Cristal. O que achou do time?

É time muito compacto, e que melhorou muito depois do último Brasileirão. Suas linhas estão muito fechadas. Como falei, será difícil. Mas teremos a torcida ao nosso lado e temos de ganhar.

Você já fazia tantos gols de

cabeça como tem feito agora?

Sim, fiz muitos jogando na Alemanha, mas também sei definir a jogada com os pés.

Mas é melhor no cabeceio?

Não, acho que não. Mas se aparecem bons cruzamentos eu sou centroavante e tenho de marcar os gols.

Tem alguma técnica especial?

Não, eu só fico olhando, 'cheirando' a bola, e quando ela chega faço o gol. Eles sabem que podem cruzar por cima ou por baixo que eu vou estar na área.

Henrique, zagueiro do Palmeiras, também vai bem pelo alto.

Joguei contra ele quando ele estava no Bayern Leverkusen, conheço muito bem, por isso disse que vai ser um jogo difícil.

Ganhar dá moral para estrear na Libertadores?

Dá moral sim, a gente quer ganhar o clássico para pegar confiança e ir à Bolívia. Nunca disputei uma Libertadores, esta é a primeira. Sempre foi um sonho e agora tenho a possibilidade de jogar a competição por um time que é um dos favoritos para ganhar.

Como vê a chance de fazer uma dupla com Alexandre Pato?

Acho que o Corinthians pode formar um ataque como desejar, agora tem muito jogador que pode ser titular. Não tem de ser eu, mas a qualquer momento se o professor Tite decidir nos colocar como titulares, dois centroavantes, vai ser uma boa dupla.

Você tem a dimensão exata do seu feito, os gols marcados no Mundial do Japão?

Ainda não tenho a dimensão, mas cada vez que encontro um torcedor ele demonstra um carinho por mim. Fico contente, feliz por isso e gosto muito da torcida corintiana.

Qual foi o momento mais difícil no Mundial?

Para mim foi o jogo contra Al Ahly, porque no segundo tempo a gente cansou por causa da pressão de ter de ganhar, foi um momento do jogo que a gente teve de correr atrás da bola, se fechando, eles tiveram oportunidades, mas ganhamos e fomos à final que todos esperavam contra o Chelsea.

Como foi a sua infância em Lima, no Peru?

Eu nasci em Lima, e cresci no bairro de Chorrillos. Jogava bola na rua, tinha uma avenida que se chamava Brasil, joguei muita bola lá com os amigos. Estudava pouco e jogava muita bola, e disso minha mãe não gostava porque ela ia trabalhar e me deixava com meu tio. Não podia ficar dentro de casa. /V.M.

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