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Reginaldo Leme
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O quarto tetra

A história da Fórmula 1 ganhará oficialmente na madrugada de sábado para domingo um novo tetracampeão mundial. Sebastian Vettel é apenas o quarto piloto a atingir esta marca, além de Alain Prost, Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher. Se considerarmos conquistas em anos consecutivos, Prost fica fora dessa lista. O novo alemão dominador da F-1 ainda está longe dos sete títulos de Schumacher e atrás também dos cinco de Fangio, mas deve ser levado em conta que o quarto desses títulos de Schumacher foi conquistado em 2001, quando ele tinha 32 anos de idade, enquanto Vettel está ainda com 26. Na época de Fangio, a média de idade dos pilotos era bem maior porque as carreiras começavam tarde, e ele tinha 45 anos quando foi tetracampeão em 1956.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2013 | 02h05

Vettel está no auge da carreira, mas ainda pode fazer mais. Tendo um carro competitivo, mesmo que não seja tão superior quanto é o atual, ele pode até sonhar em alcançar alguns recordes de Schumi, como as 68 poles (já tem 42). Ele tem pouco mais de um terço das corridas que o heptacampeão disputou (116 contra 307). Não é nada improvável ganhar mais três títulos. Acho bem mais difícil alcançar as 91 vitórias, simplesmente porque, dos recordes de Schumacher, esse é o que está mais fora da curva, para usar um termo automobilístico. Os sete títulos podem estar mais à mão de Vettel do que as 91 vitórias. Fazendo uma comparação entre os dois alemães aos 26 anos de idade, Vettel, que entrou na F-1 com 20, vai ser tetracampeão amanhã e, antes de começar a corrida, soma 116 GPs, 35 vitórias, 42 poles e 58 pódios. Com a mesma idade, mas tendo iniciado aos 22, Schumacher era bicampeão, com 69 GPs, 19 vitórias, 10 poles e 38 pódios. Isso mostra que a carreira de Schumacher deslanchou mesmo durante os 11 anos de Ferrari, quando venceu outras 72 vezes, pulou de 10 para 68 poles, e de 38 para 155 pódios.

Os períodos de domínio de uma equipe raramente duram muito. Houve o da McLaren, da época de Senna e Prost na segunda metade dos anos 80, o da Williams que fez quatro campeões diferentes nos anos 90 (Mansell, Prost, Hill e Villeneuve), o da Ferrari de Schumacher, o mais longo até agora, de 2000 a 2004, com uma continuidade em 2006 e, agora, o da Red Bull, que começou em 2010. Se pegarmos as temporadas de 1984 (Lauda campeão com McLaren) até 2004 (Schumacher com Ferrari), são 21 anos em que as equipes dominantes ganharam 17 títulos. As séries eram quebradas por erros estratégicos como o de 86, quando a Williams deu preferência a Mansell no duelo com Piquet e acabou surpreendida por Alain Prost (McLaren) na última corrida do ano. Em 1994, a morte de Senna desestabilizou a Williams e, ainda assim, o título só escapou de Damon Hill pela trapaça de Schumacher na corrida decisiva em Adelaide (Austrália). Em 1995, Damon Hill jogou fora o título com três erros banais em Silverstone, Hockenheim e Monza. Em 1999, com Schumacher fora de seis corridas por ter fraturado a perna em Silverstone, a Ferrari não deu ao segundo piloto, Eddie Irvine, a atenção que ele precisava na luta pelo título, que acabou nas mãos de Mika Hakkinen, da McLaren.

No ano que vem, com tudo novo no regulamento, a bem estruturada Red Bull do gênio criativo Adrian Newey deve continuar muito forte. Mas dificilmente haverá um domínio imediato de alguma equipe. Certamente o torcedor mais apaixonado está ansioso para ver esta nova Fórmula-1.

Velo Città. O autódromo criado pelo empresário Eduardo Souza Ramos, próximo a Mogi Guaçu (SP), acaba de ser homologado pela FIA para categorias internacionais como a GT e Fórmula-3. A pista, muito elogiada por Valentino Rossi e Nelson Piquet, e que já recebe provas das Copas Porsche, Mitsubishi Lancer e Mil Milhas Históricas, obteve aprovação dos fiscais em todos os itens de segurança exigidos pela FIA: largura do circuito, tipo de asfalto (que inclui borracha de pneus triturados), áreas de escape, guard rails, barreiras de pneus, zebras, muro dos boxes, alambrados de proteção, plataforma de sinalização, sistema de drenagem, quantidade de pontos de sinalização, centro médico e torre de controle. Agora o Brasil passa a ter três autódromos com homologação FIA - Interlagos, Curitiba e o Velo Città.

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