O que esperar de Kaká?

Desempenho do meia hoje é uma incógnita. Astro mostra limitação física e não tem rendido bem nos treinos

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

"Superei momentos difíceis neste ano e estou aqui" - Kaká, antes da Copa, sobre os problemas físicos na temporada      

 

O Brasil sempre dependeu de talentos individuais para chegar ao topo do futebol mundial. No jogo de estreia da Copa, Robinho se destacou na vitória por 2 a 1 sobre a Coreia do Norte. Hoje, contra a Costa do Marfim, a expectativa é de que Kaká mostre mais do que na última partida e não repita os treinos ruins da fase de preparação da equipe. Para aumentar as especulações a respeito das condições físicas de Kaká, o técnico Dunga disse ontem que não sabia se o meia vai atuar os 90 minutos - contra a Coreia, foi substituído no segundo tempo. "Vai depender da intensidade do jogo."  

 

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Kaká está lento, não consegue dar as tradicionais arrancadas, parece inseguro. Desde que começou as atividades com o grupo em Curitiba, em maio, ele despontou como uma incógnita para o Mundial. A suspeita sobre suas condições aumenta a cada dia, principalmente porque o preparador físico da seleção, Paulo Paixão, não deu nem sequer uma declaração sobre seu estado geral.

A nítida dificuldade do atleta para se movimentar em campo, distribuir as jogadas e partir em direção ao gol deixa dúvidas quanto à sua utilidade no Mundial. Ele acusa desconforto nas atividades abertas à imprensa - cada vez mais raras - e nas entrevistas. O Kaká descontraído e irreverente de outrora deu lugar a um jogador sério e contido.

Em maio, a promessa dos auxiliares de Dunga era de que Kaká chegaria em ótimas condições para o Mundial. Não foi o que se viu contra a Coreia do Norte. Embora tenha se esforçado, não lembrou o Kaká de anos atrás.

"Ele veio de um longo período sem jogar. Foi feito um planejamento técnico e físico e a tendência é que melhore a cada jogo", declarou Dunga.

Na África do Sul, Kaká só se destacou até agora em painéis publicitários espalhados por Johannesburgo e outras cidades do país. Pela fama talvez de ter sido eleito o melhor do mundo em 2007, foi o mais ovacionado pelo público no momento em que sua imagem surgiu nos telões do Ellis Park Stadium, minutos antes de o Brasil entrar em campo para enfrentar a Coreia do Norte.

Em todas as entrevistas com jogadores da seleção em Johannesburgo, uma pergunta é certa para quem ocupa a mesa central do auditório do Randpark Golf Club, local dos encontros com a imprensa: "Como está o Kaká?" Alguns se embaraçam nas respostas e outros são enfáticos na defesa do colega.

Kaká sofre de pubalgia (inflamação do púbis) crônica e tem de tratar do problema sistematicamente. Pode voltar a jogar como em 2007, mas isso requer trabalhos específicos, incluindo sessões diárias de fisioterapia, e uma condição física favorável, da qual não dispõe agora, por causa de lesões musculares que o deixaram fora de vários jogos do Real Madrid na temporada.

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