O que está em jogo é o futebol bonito, bem jogado

Análise

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Estão todos de parabéns! Frustrados, incompetentes e hipócritas agora podem comemorar. Enfim, Neymar está fora de cena. Após semanas a fio na cadeira elétrica, alvo de um massacre sem precedentes patrocinado por técnicos e jogadores desmoralizados por seus dribles desconcertantes, Neymar foi sacado do elenco. Não importa se por um ou dois jogos, ou três. O que fica é o precedente, perigoso.

O Santos, um time que tantas vezes se comporta como um pequeno, distante da glória dos anos de ouro e desprovido da soberania de um São Paulo, por exemplo, curvou-se à pressão espúria dos palpiteiros. Fez isso agora, vai fazer sempre. Não se trata de reverenciar a indisciplina. O que está em jogo é o futebol bonito, bem jogado, que todos admiramos, seja ele de qual time for. Está aí o ponto crucial. Os fariseus, ao contrário do que querem fazer crer com manifestações cínicas, não estão preocupados em ver um futebol ajustadinho, sem deslizes. Ocultam sua verdadeira intenção que é tirar de circulação o talento que os atormenta.

Se Neymar, que enche nossos olhos com sua categoria, pisou na bola e se excedeu, que o punam sim - mas sem execração, como pede seu pai. Polêmicas e atritos fazem parte do futebol. O problema é a forma como veio a sanção. René Simões, do Atlético-GO, amplificou cena até corriqueira, claramente porque tomou uma sova quando imaginava que sairia da Vila vitorioso. Ele, sim, meteu o nariz onde não devia. Foi a Simões que Neymar se dirigiu aquela noite? O Santos, ingênuo e fraco, caiu no embuste.

Tudo o que o menino faz é merecedor de reparos, indignações e libelos. Dá um drible e o chamam de folgado. Faz um golaço e vira mascarado. É caçado todo jogo. Pontapés, safanões e pescoções ele toma dos truculentos. A TV mostra tudo, mas o acusam de cai cai. Bater pode, arte não pode. Salve Marcinho Guerreiro! Ave Domingos! Os hipócritas estão felizes.

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