''O racismo está no futebol como está na sociedade''

O racismo no futebol não me parece tão comum, mas também não é tão raro. Em pouco tempo, por exemplo, temos vários casos, como o do argentino Desábato contra Grafite, o de Antônio Carlos contra Jeovânio, lamentável, e esse de quarta-feira, envolvendo outro argentino, Maxi López. O fato é que o futebol não é diferente da sociedade brasileira. Ele faz parte dela. Logo, o que existe na sociedade, existe no futebol. O que choca mais é que o futebol espetaculariza isso, traz à luz. E a sociedade brasileira não gosta de admitir que existe. Prefere fazer de conta que o racismo é coisa lá de fora, aqui não.Mas o racismo no Brasil é estrutural. Ele existe muito antes do Antônio Carlos fazer aqueles gestos no campo. Ele está no dia a dia.O lado positivo é que já houve avanços, como a Lei Caó, que penaliza todo tipo de racismo, preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional. Agora, finalmente, os casos de racismo no Brasil são tratados como crime.De qualquer forma, entendo que é preciso evitar exageros. No futebol, por exemplo, não há razão para um jogador ser preso, como ocorreu no caso do argentino Desábato contra o Grafite. Ali, ficou claro um outro tipo de preconceito: o do brasileiro contra o argentino.O brasileiro tem um claro complexo de inferioridade em relação ao argentino e eles, sabendo disso, ?vão no tornozelo?. Ou seja, tiram proveito. É uma agressividade mútua. Nossa reação em relação a eles também é de puro preconceito.É preciso entender também que, no futebol, a provocação é um recurso extraesportivo, mas comum. O problema é que essa provocação, quando mexe com a questão racial, incomoda muito o brasileiro. Ainda mais vindo de um argentino, o que também exterioriza o racismo contra nossos vizinhos, um preconceito de procedência nacional. De qualquer forma, o importante é a sociedade continuar se indignando. A própria exposição pública do fato já é importante. * Historiador, professor e Escritor

Joel Rufino dos Santos *, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

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