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Antero Greco
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O retorno dos astros

Toda vez que chega a metade do ano, a gente fica cismado com a qualidade e com o futuro do Brasileiro. Há o temor de queda no nível técnico, por causa das baixas provocadas pela movimentação de mercado dos clubes europeus, que vêm aqui e pescam novidades, como ocorre há décadas com regularidade. O receio tem fundamento. Felizmente, existe o contraponto, e o futebol destas bandas resiste, se renova, mostra capacidade inesgotável para reerguer-se. Saem atrações? Outras ocupam espaço.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2013 | 02h05

O primeiro fim de semana de reinício de temporada, após a pausa para a Copa das Confederações, trouxe ânimo para otimistas e deixa céticos menos amargurados. A esperança de ressurgimento veio pelos pés de Alexandre Pato e Valdivia, dois rapazes talentosos, contestados e frágeis. O primeiro fez os dois gols na vitória do Corinthians sobre o Bahia, enquanto o chileno, se não marcou, participou de três dos quatro gols do Palmeiras diante do Oeste, no sábado pela Série B.

Pode parecer exagero - talvez seja, e não dou importância a nariz empinado. Mas o desempenho dessa dupla em equipes rivais, e em divisões diferentes, empurra os torcedores. Sem contar que serve de afirmação para astros que transitam mais entre enfermaria e banco de reservas do que propriamente desfilam arte em campo.

Agora foi diferente, e merece registro. Valdivia passou mais de três meses numa funilaria geral. Esteve fora de momentos importantes, no Paulista e na Taça Libertadores. O enésimo retorno, no entanto, foi além da expectativa. No jogo de Presidente Prudente, atuou por 70 minutos e se tornou responsável pelos lances de criatividade do Palmeiras. Saiu antes do apito final, para não abusar da sorte. Os palestrinos cruzam os dedos, para evitar olho gordo, e rezam para que os músculos delicados não o barrem tão cedo.

Pato teve lampejos de centroavante de fino trato, como de fato ele é, na reconstruída Fonte Nova. Em duas jogadas extraordinárias definiu o placar, com golaços. Além disso, correu pra cá e pra lá, ajudou o meio-campo, abriu espaço e deu passes para Romarinho e Guerrero aumentarem a diferença; sem sucesso. Durante os 80 minutos e alguns quebrados em que teve fôlego, passou a sensação de que pode retomar sequência produtiva na equipe. Tomara não seja acometido por dores.

Postura firme teve o Corinthians, ao não se abalar com a pressão inicial, e estéril, do Bahia. Tite foi obrigado a abrir mão de Danilo, Douglas, Emerson, e ainda assim viu o time comportar-se com a altivez e a segurança das melhores lembranças de 2012. Tomou um susto com a contusão de Renato Augusto, um dos que haviam se recuperado durante o descanso do mês passado e que agora volta aos cuidados médicos. Sobressalto à parte, os alvinegros construíram o resultado na primeira metade e dosaram energia na segunda. Os indícios de crescimento são evidentes; time para brigar pela ponta.

São Paulo sem rumo. É bom a diretoria tricolor acabar logo com o vazio de comando técnico. Ney Franco recebeu bilhete azul, como se dizia antigamente para amenizar uma demissão, e não se notou diferença alguma na equipe orientada pelo interino Milton Cruz. Os nomes foram os mesmos do chefe anterior, assim como os erros, as omissões e a inconstância. Na etapa inicial, até que incomodou o Santos, porém ruiu com os gols de Giva e Cícero. Trata-se de paradoxo: a trupe conta com diversos jogadores de renome, experiência e potencial. Mas algo emperra e faz com que não dê liga, a ponto de sumir no segundo tempo.

Ganhar o clássico deve estimular a autoestima do Santos, que não é das mais notáveis desde que Neymar limpou o armário na Vila, arrumou a mala e se mandou para o Barcelona. O técnico Claudinei Oliveira (não "Cláudio", como escrevi ontem em pisada de bola) se aferra à missão de mesclar veteranos com jovens, colheu três pontos preciosos e aplaina caminho para o sucessor.

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